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A nossa entrevistada de hoje dispensa apresentações. Uma das mais brilhantes ilustradoras  brasileiras da nova geração, Anna Anjos, 25 anos, é paulistana, ilustradora e designer  freelancer formada pela Belas Artes/SP. Já trabalhou como colorista e designer na Fábrica de  Quadrinhos e hoje atua no mercado editorial e publicitário amando o que faz. Seus  trabalhos possuem uma característica bem particular, ilustrações ricas em referências visuais, que você  confere mais na nossa entrevista. Muito massa! Aproveitem a entrevista e Anna, muito obrigado!

Massa – Você é filha de um desenhista autodidata, apaixonada por ilustração desde criança, mas que iniciou a carreira como designer. Como foi a decisão de sair de uma profissão onde atuava há alguns anos e partir para sua paixão?

Anna - Meu pai sempre desenhou muito bem, mas nunca seguiu a profissão. Isso me deixava um pouco apreensiva em relação à carreira artística, porque apesar de sempre ter gostado muito de desenhar, eu queria fazer um curso superior e, na época, ainda não havia curso com formação em Ilustração.

Então, em 2003 prestei vestibular para Design Gráfico na Belas Artes de São Paulo, pois sabia que esse curso me daria uma base na área e talvez me propiciasse mais chances dentro do mercado de trabalho. Sem dúvida fazer Design me fez adquirir muito conhecimento na área e ganhar certa experiência. Mas ainda assim eu me sentia “incompleta”. Sempre fui uma pessoa bastante lúdica e me faltava essa necessidade de expressar toda essa lisergia através de linhas, traços, criando meu próprio universo visual.

Após ter trabalhado em algumas agências de publicidade resolvi me tornar freelancer e trabalhar somente como ilustradora. Não foi uma decisão fácil, precisei de coragem para deixar a agência onde trabalhava para partir para o mercado como freela, mas arrisquei. Hoje vejo que fiz a coisa certa, sou muito feliz por trabalhar com o que sempre foi minha verdadeira paixão, a ilustração.
Atualmente tenho atuado também como artista plástica, desenvolvendo meu trabalho em outros suportes e experimentado diferentes materiais.

Massa – Você atua como ilustradora free lancer. Qual a parte mais legal e a parte que te chateia mais (se é que existe) nessa forma de negócio?

Anna - Ser freelancer, ainda mais no Brasil, é um grande desafio. O mais bacana em ser freelancer é o fato de se poder criar sua própria rotina de trabalho, estabelecendo seus próprios horários. Claro que às vezes pode ser um pouco desgastante ter de sacrificar alguns finais de semana pra terminar um job. Mas, na minha opinião, ainda assim vale a pena ser freelancer.

Massa – Como você vê suas ilustrações. Como arte, como objetos de desejo decorativo ou puramente comerciais?

Anna - Na verdade, acho que é um pouco de cada coisa, dependendo da aplicabilidade de cada projeto. Atualmente estou procurando experimentar suportes novos para o meu trabalho e, com isso, alcançar novas perspectivas para minha carreira.

Massa – Recentemente você criou para Nestlé, três embalagens dos Chocolovers para Páscoa. Como foi seu processo criativo?

Anna - Quando fui convidada para desenvolver ilustrações exclusivas para as latas de Ovos de Páscoa da Nestlé tive liberdade total para a criação dessas ilustrações. Resolvi desenvolver mandalas e elementos orgânicos com diferentes tons para cada lata (azul, rosa/amarelo e verde), que explorassem a forma da embalagem.
Foi uma grande experiência e um enorme prazer poder aplicar minha arte em produtos de uma marca tão forte como a Nestlé. Fiquei bastante satisfeita com o resultado final.

Massa –  É perceptível em suas ilustrações, ver uma gama de detalhes, de cores e linhas bem distribuídas, composições bem trabalhadas, você acha que chegou no seu estilo próprio ou definitivo?

Anna - Acredito que tenha chegado sim a um estilo próprio, porém não definitivo. Como artista visual estou sempre em busca do novo, procurando aprimorar meu trabalho.
Em novembro de 2009 tive a oportunidade de conhecer a Argélia, um dos países mais incríveis do norte da África. Lá procurei absorver o máximo possível de informação visual, toda sua riqueza cultural.
A cultura do Nordeste do Brasil e Africana, juntamente com o Tropicalismo são as minhas maiores referências para o desenvolvimento do meu trabalho atual. Recentemente comecei a desenvolver minha própria mitologia, cujos personagens denominei “Entidades Afrotropicais”. Hoje meu trabalho está mais maduro – tanto tecnicamente quanto em relação a conceitualização das artes.

Massa -  Sabemos que cada artista gráfico e ilustrador possui uma metodologia de trabalho. Explique como é a sua. Parte direto para o computador, faz no papel antes? Quais as ferramentas que você utiliza até o resultado final?

Anna - Antes de mais nada eu procuro me envolver ao máximo com o projeto que estou desenvolvendo. A música me ajuda muito nisso, com ela o trabalho sempre flui melhor. Se é uma ilustração comercial, por exemplo, na maioria das vezes o processo é híbrido: desenho primeiro o traço à mão e faço a colorização digital.

Massa –  Quais foram e continuam sendo suas principais referências no mundo da arte e da ilustração?

AnnaMinhas principais referências atuais são o Tropicalismo e as culturas do Nordeste brasileiro e Africana, como disse anteriormente.
Com relação aos artistas contemporâneos gosto muito do trabalho da Linn Oloffsdotter e de Joe Sorren.

Massa -  Para terminar, deixe seu recado, dica para quem quer entrar no mercado da ilustração e que admira seu trabalho.

Anna - Ser ilustrador no Brasil não é fácil, principalmente pelo fato dessa profissão não ser regularizada e nossa classe não possuir leis que nos assegure alguns direitos básicos. Pode soar clichê mas é a mais pura verdade: eu acredito que o mais importante de tudo é amar verdadeiramente o que se faz.

Há três “regrinhas” que considero fundamentais para quem quer trabalhar como ilustrador:

1 – Não espere que o trabalho bata à sua porta. Vá à procura, busque, informe-se. Tenha interesse e vontade de se superar a cada novo trabalho.
2 – Faça uma seleção somente com os seus melhores projetos/ilustrações; crie um portfolio bacana em versão digital, onde o cliente possa ter acesso aos seus trabalhos mais recentes. (Lembre-se que menos é mais).
3 – Determinação e segurança são pontos muito importantes: mantenha-se firme em seu objetivo e acredite sempre em você.

Aproveito pra agradecer a todos que gostam e acompanham meu trabalho e convidar a visitar meu novo site: www.annaanjos.com

Hiro Kawahara é ilustrador e diretor de arte há 23 anos. Parte deste tempo, trabalhou na Taterka, agência que atende o McDonald’s, onde reconceituou o uso das toalhinhas de bandeja. Hoje, é ilustrador autônomo e atende clientes invejáveis como Itaú, Pão de Açúcar, Telefonica, Nestlé… E por aí vai.

Pulamos a parte da ilustração do mitológico repolho aquarelado, confira a Entrevista Massa, cujo entrevistado, além de excelente ilustrador é muito simpático e atencioso. :D

Massa: Em algumas das suas entrevistas no ( vídeo que mostramos aqui no Massa e a que saiu na Ilustrar n º7 ) você agraciou os fãs com um tutorial rápido dos seus desenhos. Isso é raríssimo de encontrar, qual o motivo dessa benfeitoria?

Hiro: Pra ser sincero, a resposta é bem mais simples do que parece: foi o Ricardo Antunes, o editor da revista, quem pediu esse tutorial (toda Revista Ilustrar tem uma seção de passo-a-passo). Embora eu tenha muita vontade de fazer mais tutoriais, a verdade é que dá um trabalho danado editar um: capturar uma tela em cada etapa, depois organizar o processo na forma de texto, cropar as imagens no Photoshop… só com muito tempo eu consigo fazer isso.

Massa: Uma coisa que você tem falado nessa entrevista em vídeo é sobre o rafe e referências na hora de fazer uma ilustração. O rafe é algo que deve acompanhar o ilustrador pela vida toda, ou ele pode se permitir “ir direto ao ponto final”?

Hiro: O “rough”, vulgo “rafe” acompanha o ilustrador pela vida toda, não tem jeito. O rafe é o começo, a pedra primordial, o primeiro traço. Sem ele não tem a arte final, é querer construir a casa pelo telhado. Quanto mais se treina em fazer rafes, ou esboços, mais natural o traço sai das pontas dos dedos. Às vezes alguns trabalhos permitem que se use o esboço como arte final, quando se prioriza a fluidez e a naturalidade dos traços de um sketch.

Massa:Várias musas, meninas e bonequinhas passaram pelo seu Fast Girls, como foi o início delas, e de onde surgiu o estalo para que elas viessem ao mundo pelo seu trabalho?

Hiro: As Fast Girls nasceram depois que eu voltei de uma viagem de 40 dias em Nova York. Foi inspirador o período em que eu não precisei desenhar por encomenda, o que eu faço muuito, só pelo prazer de desenhar. Senti falta de um “Pet Project”, algo que me fizesse desenhar pra mim quando chegasse ao Brasil, porque sabia que eu iria novamente mergulhar no trabalho, sem tempo de fazer projetos pessoais. Então eu criei as Fast Girls como uma maneira de me forçar a desenhar algo divertido, só no rabisco rápido, para treinar a mão e o programa novo, que é o Painter XI. Como sou fascinado por desenhar monstros e mulheres, e não tenho muitas oportunidades de desenhar umas beldades, decidi seguir em frente com as mulheres que são ícones da cultura pop. E vejo que, depois de um ano desenhando-as, minha mão está muito mais fluida pra desenhar corpo feminino, e acho que eu me divirto muito desenhando os rostos e os olhos, fico satisfeito com o resultado, embora sempre dá pra melhorar. Cada Fast Girl é um estudo de sombrancelha, distância de olhos, expressividade…talvez quando terminar a nº365 eu já tenha melhorado mais 100% do que eu faço hoje. E assim que terminá-las tenho outro projeto de desenho diário, também envolvendo mulheres.

Massa: Comprei seu calendário! Atazanei o pessoal da Galeria Magenta até dizer chega, coitados. Ele veio lindamente autografado e personalizado, como você consegue tempo para tudo isso? Ilustrar, atualizar o blog, e responder os comentários do pessoal, o padrão de trabalho é de 8h por dia ou 20h?

Hiro: Eu trabalho muito. Muito mesmo. Sou workaholic desde a época em que eu era diretor de arte da agência Taterka, que tem a conta do McDonald’s. Eu trabalho cerca de 12 horas por dia, tem dias que chega a 14 com folga. Sempre trabalho nos feriados e finais de semana. A produção de ilustrações é grande, garante o bife com cebola todos os dias na mesa. Praticamente só saio de casa em dias de Bistecão Ilustrado ou outro evento relacionado com ilustração. Ou quando viajo um mês por ano, em algum país. Mas estou trabalhando pra diminuir essa carga, não é saudável. Pelo menos quebrei a resistência e contratei uma personal trainer, estou correndo dia sim, dia não e pretendo logo participar de uma corrida. Isso tem ajudado a não focar tanto no desenho.

Massa: E falando nos calendários, os resultados das vendas têm sido bons? Como tem sido o pós entrega dos calendários nas agências?

Hiro: As vendas tem sido maiores do que eu imaginava, mas têm uma curva descendente chegando logo. Afinal, ninguém compra calendário em maio.
Em relação a entrega do calendário nas agências, que é a intenção inicial desse projeto, tem sido corretas. Algumas pessoas mandam email agradecendo, mas tenho consciência de que os calendários não vão trazer trabalho a curto ou a médio prazo. A finalidade dos calendários é mais manter seu nome no mercado, mostrando que você está ativo, o que convenhamos, já é bastante nesse meio, com uma peça que provavelmente estará na mesa do interessado o ano inteiro.

Massa: Podemos esperar pelo calendário Hiro de 2011… 2012… 2013…?

Hiro: Com certeza, agora que eu peguei o gosto, não paro mais. Nas próximas vezes prepararei o calendário com mais antecedência (esse ano foi um imprevisto), e se não for um calendário será algo parecido. Criar novos layouts de calendários também é algo que eu me divirto muito. Um dos calendários pretendo fazer com as Fast Girls.

 

Massa: Faz pouco tempo você twitou um caso de sequestro de sua menina magenta, contratada como escrava para vender biquíni feio como você mesmo disse. A internet, como tem num post recente seu é a nova pasta, mas como competir com os seres mau intencionados que se apoderam dos trabalhos alheios?

Hiro: Se uma pessoa quiser usar seu desenho que está na internet, nada vai impedi-lo. Obviamente, se eu fico sabendo, ligo para o advogado ou tento negociar amigavelmente (o que não está acontecendo com a empresa dos biquinis). Como a maioria dos desenhos surrupiados meus estão sob contrato, é comum que eu comunique a empresa que comprou os direitos e eles é que se viram com o meliante. Mas nem tudo você consegue acompanhar, então dependemos muito de pessoas e amigos que “dedam” situações de roubo.
É preciso ter paciência e postura para lidar com a mentalidade dessas pessoas que acreditam que se algo está na internet ele é de domínio público.

Massa: Uma dica pra quem está começando na área de ilustração, o espaço é todo seu! =D

Hiro: A dica que eu sempre dou é: na área criativa, seja apaixonado por ilustração, tenha um sketchbook e desenhe todo santo dia. O Cárcamo, brilhante aquarelista, dizia que temos que acabar com uma resma de papel sulfite por semana, porque temos dez mil desenhos ruins dentro da gente, que só saem quando os desenhamos.

Profissionalmente, minha dica é ter consciência de qual é seu público alvo, direcionar seu trabalho para esse caminho e principalmente, saber que para se trabalhar no mercado editorial ou publicitário, não basta desenhar bem, tem que saber negociar e cobrar, senão você não passa da primeira fase. E lembrar que ilustrador não vende desenho, por mais paradoxal que seja isso. Ilustrador vende é direito de uso desse desenho. Isso faz uma diferença danada.

E por último: aprenda a gostar de ler letras miúdas. Saber ler um contrato ou um orçamento é vital.

________

O Massa agradece de novo e mais uma vez a atenção do Hiro, e para você encontrar mais sobre ele e seus trabalhos, aqui o BLOG e o PORTFÓLIO.

Apesar de o tempo estar confuso e os meteorologistas não se entenderem, prever se vai chover ou não amanhã é relativamente fácil. Tem várias teorias, saleiro úmido, arco ao redor da lua, “serra longe, chuva perto”… Mas prever os 10 anos seguintes complica um pouco mais e não tem saleiro ou borra de café que adivinhe com mudanças tão bruscas. Os anos 90 foram de constantes mudanças e mais uma década se completa com tantas evoluções quanto a última. Vamos arriscar palpites pra próxima?

Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Alexandre, André, Ariel, Daniel, Elias, Felipe e Felipe Caroé vocês são massa!!!)

01.

alexandre1Vejo que o design começa a conquistar seu espaço no Brasil, se compararmos com 10 anos atrás. Para pensar nos próximos 10 anos acredito que um dos primeiros pontos que devemos observar é a previsão da população mundial, sairemos de 6 para quase 8 bilhões de habitantes.
Acredito que complexidade da inserção de produtos no mercado tende a aumentar, principalmente por políticas e exigências ambientais, e pelo impacto deste crescimento populacional no ambiente urbano.
Neste sentido, penso no designer como aquele que consegue usar sua criatividade de modo mais abrangente, aplicando seus conhecimentos estéticos para entender estratégias de produto, sistemas de produtos, e isso diretamente relacionado com políticas de inovação do Governo (e de empresas), sustentabilidade, e o desenvolvimento de novas experiências de consumo.
Alexandre Turozi, 26 anos, Designer Industrial e Diretor de Projetos da 2pra1 Design Industrial. alexandre@doispraum.com.br / www.doispraum.com.br (em breve!!)

02.

andreTenho uma certa apreensão com tudo daqui a 10 anos e, dependendo do ritmo do aquecimento global, das catástrofes ambientais e tudo que pode aparecer ainda derivado disso, como a crise da água, é muito difícil fazer qualquer previsão agora. Há 20 anos eu previ muita coisa que está acontecendo hoje, ainda garoto, tinha a mania de prever. Gostava de arriscar palpites baseado na história recente do planeta e acabei acertando algumas coisas. Mas daqui a 10 anos a previsão é menos animadora, então parei de prever (risos).
De fato, tudo dependerá do quanto o Brasil será afetado pelas variações enormes do clima no planeta. Acredito que teremos uma sobrevida maior do que a Europa ou os EUA e talvez sejamos o país mais rico do mundo, se os sucessores de Obama não resolverem invadir o Brasil por causa da água e do petróleo que não descobrimos ainda. E isso é sério!
Com todo esse panorama pendendo entre o feio e o catastrófico, sou muito otimista (mais risos). Acredito realmente no Brasil como um país que vai superar as contradições violentas de hoje, até já melhorou um pouco e terá a chance de liderar o planeta num outro tipo de revolução, que não terá armas, nem guerras, nem presos políticos. Mas isso é um outro papo…o que eu ia responder mesmo? Ah! Minha área de atuação! Ela depende diretamente de tudo que está em volta, de todo o panorama mundial e especialmente o Brasileiro. Ainda mais considerando que estou mergulhando de vez na fotografia de casamentos e, em épocas de crise, as pessoas se casam muito pouco, gastam muito menos com isso e, tendo essa noção muito clara em mente, nunca me limitei por nenhum tipo de fotografia. Gosto e realizo intensamente todos os tipos de trabalhos que me aparecem, independente de gostar mais de um ou de outro. E ainda sou músico, afinal sempre terá uma estação de metrô ou trem para colocar o chapéu e tocar o dia todo esperando a sensibilidade das pessoas (risos triplicados).
Concluindo: se as condições climáticas nos permitirem, acredito que meu campo de atuação estará crescendo muito em geral, mas para o lado artístico isso ficará mais claro. Será cada vez mais dependente da tecnologia de computadores etc., mas cada vez mais desafiador para que se faça alguma coisa realmente diferente no mercado. A multiplicidade das formas artísticas e a fusão total de culturas no planeta vai influenciar de vez qualquer tipo de fotografia. Não haverá mais espaço para o fotógrafo registrador, aquele que clica o que vê. Será preciso ver algo que ninguém vê e congelar aquilo que ninguém viu mesmo olhando, de quebra convencendo a todos disso, verdade ou não (afinal a fotografia nunca se pretendeu verdade, nem mesmo no jornalismo). E é nisso que eu acredito. Adoro desafios!
André Pinnola, fotógrafo 24hs, músico de vez em quando, tentando ser para o outro mais do que para si mesmo, vivendo com um pé no Rio de Janeiro e outro em Santa Catarina. www.andrepinnola.com.br

03.

ariel1É difícil prever o que vai acontecer em 10 anos, ainda mais com as coisas mudando cada vez mais rápido, mas pelo que eu vejo, a comunicação, principalmente a publicidade tende cada vez mais a se transformar em entretenimento como cinema e produção audiovisual em geral, o que abre várias possibilidades para ilustradores, desde coisas obvias como animação, design de personagens, até trabalhos que as pessoas não veem diretamente como concept arte, story boards, etc. Isso se o mundo não acabar em 2012 é claro…:-)
Ariel Fajtlowicz, ilustrador e designer, 28 anos de idade e 12 de profissão.www.gloome.net

04.

danielO volume crescente de informação dispersa e inclassificável torna a comunicação um trabalho intenso de tornar fácil o acesso àquilo que é realmente importante para contextos cada vez mais exclusivos. Daqui a dez anos talvez estejamos de fato adaptados ao fato de que ninguém diz nada para quem não quer ouvir e que comunicação só acontece quando todo mundo tem a oportunidade de falar. Vai ser difícil, mas acredito que vamos aprender a não tentar classificar tanto as coisas e entender que na verdade os limites são regiões acinzentadas entre o preto e o branco. Acredito que fazer bom design e fazer boa comunicação continuarão a ser tarefas de pessoas que saibam gerenciar critérios e não seguir regras, pessoas que mais do que ter conhecimento saibam como utilizá-lo para melhorar as coisas.
Daniel Maciel, 23 carnavais, publicitário, instrutor do curso técnico em Design Gráfico do CECOTEG em BH/MG, faz umas letras e é uns trabalho como freela no tempo que sobra. @dmaciel

05.

eliasHá alguns anos atrás tive um certo receio de que as coisas tomariam um rumo não muito favorável, comecei a perder trabalhos por não me aperfeiçoar em modelagem 3D. Pensei, daqui pra frente quem não dominar esta tecnologia, por mais técnicas que domine estará fadado ao esquecimento. Totalmente equivocado.
Hoje enxergo assim: Vemos muitos trabalhos que são uma salada de filtros e copy/paste e ruídos usados inadvertidamente, sem propósitos, carentes de um conceito, sendo considerados boas ilustrações. Entendo que, sobreviverá neste oceano revolto o ilustrador que, antes de manejar o motor do barco, souber deslocá-lo pelos meios tradicionais, ou seja, remando. Já tive situações (acredito que todo ilustrador já tenha passado por isso) em que o computador não me trouxe o resultado esperado, ou mesmo, me deixou na mão. Voltei à prancheta e consegui resultado tão bom, ou até melhor que o obtido com a máquina. Um ilustrador que começou a atuar primeiramente aprendendo a usar softwares e hardwares, sem conhecer as técnicas tradicionais, sem conhecer História da Arte, e Cultura em geral, não sei qual será o seu futuro nesta área.
A vantagem na ilustração é que, independente da técnica, que pode ser uma simples folha de papel e técnicas tradicionais, ou os muitos recursos que temos hoje na ilustração digital e os que ainda virão, sempre terá um motivo que a faça existir, levando-se em consideração as várias áreas de atuação do ilustrador (cinema, tv, games, storyboards, criação de personagens, apresentação de filmes, vinhetas, quadrinhos, anúncios publicitários, entre tantos outros). E, como disse o mestre Benício: “Sempre haverá uma idéia a ser transformada em imagem que a realidade não consiga transmitir.”
Elias de Carvalho Silveira é ilustrador e designer de Bauru, São Paulo. http://eliassilveira.blog.uol.com.br | http://www.flickr.com/photos/elias_ilustracao_design | http://eliassilveira.sites.uol.com.br

06.

felipearcoverdeComparando com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentram as principais faculdades, eventos e empresas da área, atualmente a atuação do design na Bahia está engatinhando. Com alguns escritórios de design e pouca oferta de trabalho, a maioria dos profissionais que se forma dentro do estado vai para outros centros a procura de melhores empregos e estabilidade financeira e os que aqui ficam, atuam em agências de publicidade ou como autônomos.
Acredito que daqui há 10 anos nossa área esteja consolidada e fortalecida. Um número maior de profissionais responsáveis e comprometidos na realização de um bom trabalho farão um mercado cada vez melhor por meio de sua atuação, objetivando visibilidade às produções acadêmicas e divulgando o papel do design para a sociedade, permitindo o desenvolvimento de projetos que sejam úteis para sociedade e não só para fins comerciais.
Felipe Arcoverde é designer gráfico formado pelo Centro Universitário Jorge Amado – Unijorge e sócio-diretor do escritório de design gráfico Person Design. www.persondesign.com.br

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felipe-caroeA comunicação estratégica na internet tem uma tendência para evoluir rápido, né? Quer dizer, há três anos ninguém pensava em mashups, microblogging, realidade aumentada.
Hoje, isso é expertise padrão para agências de marketing digital. Uma coisa que todo profissional da web já sabe – ou deveria saber – é que a evolução tecnológica não tem muito mais pra onde correr. O aprimoramento agora é conceitual; web 2.0, twitter, aplicativos do orkut, facebook… A inovação vem sendo mais de perspectiva que técnica.
Os designers terão que se dedicar, então, mais à eficiência da transmissão do que à forma da mensagem. Se em três anos tivemos uma brutal mudança no modo de fazer comunicação, em dez anos acredito ser essencial trabalhar a objetividade e o destaque do conceito transmitido. Isso vai tornar a profissão mais atuante e requisitada.
Felipe Caroé tem 23 anos e é designer. Trabalha com branding e estratégia para a web. Tá achando que trabalha pouco, aí decidiu participar de um coletivo de design, o coletivo NEGOBOM. felipecaroe.com | coletivonegobom.com

E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos? Dê uma de mãe Dinah e fale-nos do futuro! A equipe massa também brinca, e sempre deixa suas respostas ali nos comentários =)

7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!

Hoje a gente vai trocar uma idéia com o pessoal da MidiaEffects e da Firmorama sobre a identidade visual da MidiaEffects.
Se o assunto é sobre a MFX, que diabos a Firmorama faz aqui? Elementar meu caro Watson, são eles os responsáveis por toda a nova linha gráfica da MFX. Agora que tudo já faz sentido, Hey, ho let’s go!

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Massa – O que é “THE WOW experts!”? Como surgiu?
MFX – Desde que o estúdio foi criado, em 2001, passamos inúmeras horas tentando nos auto-classificar e achar um posicionamento bem claro para o que nós fazemos. No início desse ano chamamos a Propague (Agência bem legal daqui de Floripa) para ajudar-nos com essa saga, e eles fizeram um trabalho bem bacana com a gente, criando um conceito que a gente adorou: The WOW experts! A idéia é abraçar realmente este mistério sobre o que nós fazemos, mas evidenciando que não importa o que a gente faça, o resultado será WOW. :)

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Massa – Como foi o diálogo para o desenvolvimento da nova papelaria da MFX?
MFX – Decidimos que chamaríamos a Firmorama (Estúdio de Design de Jaraguá do Sul) para desenvolver a nossa papelaria para termos um resultado bem diferente do que nós vínhamos produzindo, e criar uma comunicação totalmente nova. Já acompanhávamos o trabalho deles havia um tempo (e adorávamos), e ficamos bem felizes quando eles toparam a parceria. Após algumas reuniões de briefing o processo de criação foi iniciado, e os diálogos foram feitos via Skype (chat ou telefonemas).

Firmorama – Também conhecíamos os trabalhos da MFX a tempos, e a admiração sempre foi mútua, então após alguns contatos virtuais, resolvemos marcar um bate papo para nos conhecermos melhor, na sede da MFX em Floripa, e explorarmos algumas parcerias percebendo o potencial de unirmos forças entre os dois estúdios. Após esta primeira conversa, o contato se intensificou e culminou nesta importante parceria, de um trabalho bastante completo de identidade visual para a MFX. Como a Carol comentou, conversamos muito mesmo durante o processo via Skype, e também algumas reuniões na sede da MFX para definirmos os caminhos do projeto.

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Massa – Uma pergunta diretamente para a Firmorama, como se deu o processo de criação?
Firmorama – Coletamos muitas informações em conversas diárias com o pessoal da MFX, buscando absorver exatamente o novo posicionamento do estúdio, para podermos traduzir o conceito The WOW experts! em todas as mídias de divulgação que eles necessitavam, baseados primeiramente em um briefing pré definido por eles. Então iniciamos o processo discutindo aqui no estúdio um direcionamento para a estética do material, até encontrarmos o caminho desejado juntamente com a MFX, que foi utilizar uma ilustração diferente para cada peça, repleta de formas orgânicas e abstratas em movimento, desta maneira conseguimos apresentar perfeitamente o conceito de multidisciplinariedade e uma explosão de criatividade que a MFX queria apresentar em todo seu material, tendo inclusive multi-impressões nos cartões de visita, onde cada pessoa possui 03 modelos diferentes.Esta foi a idéia, surpreender e causar um WOW espontâneo em cada peça, seja com as cores, com o cuidado na impressão ou com detalhes diferenciados. Criamos também uma família tipográfica exclusiva para ser utilizada em todo o material interno do estúdio.

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Massa – Olhando o material* eu percebi um cuidado com os detalhes e acabamentos: a impressão interna em vários materiais, a disposição dos vernizes, padrões, etc.? Como é explorar as possibilidades gráficas e no que isso agrega?
Firmorama – É sempre interessante quando o cliente aposta no investimento em detalhes de impressão, e entende que isto irá transformar o material em algo impressionante, e capaz de transmitir sensações através do toque ou da persepção de cores e texturas, além de outras qualidades que este cuidado traz. Tivemos a felicidade de a MFX nos dar carta branca para apostar em vários acabamentos incríveis, e o resultado não poderia ser diferente, qualidade impressionante em todo os materiais impressos.

MFX – O novo posicionamento do estúdio deveria ser refletido na nova papelaria, então se pretendíamos encantar com nossas produções digitais, nosso material impresso não poderia ser diferente, certo? Sabemos da importância de uma papelaria legal e refinada, e como isso faz toda a diferença numa apresentação ou numa prospecção.

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Massa – Para MFX agora, como é estar no lugar de cliente do projeto?
MFX – Não sei se fomos os melhores clientes do mundo, pois como trabalhamos na área talvez tenhamos exigido um pouco mais, hehe. Mas foi bem tranqüilo, ainda mais trabalhando com um pessoal bem legal e competente. :)

Massa – Alternando, agora para a Firmorama: tem diferença em atender um cliente da nossa área comparado a um cliente de outras áreas?
Firmorama – Tem sim, pois quando o cliente entende o que se está buscando, o processo tende a ser mais produtivo, exigente e consequentemente o resultado vai ser melhor também, além de ele receber suas sugestões opina ativamente no processo de desenvolvimento, pra gente foi muito bom, e como a Carol falou, trabalhando com a MFX, estamos todos em casa.

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Massa – Aquela pergunta arrebatadora para descontrair: “o cliente tem sempre a razão”? (Não vale mentir hein, o nariz cresce…)
MFX – Claro que o ideal é sempre deixar o cliente satisfeito com o resultado final, mas algumas vezes a opinião pessoal de quem aprova não condiz com a realidade do target final da empresa dele. E, quando isso acontece, tentamos dialogar e expor nosso ponto de vista procurando chegar a um denominador comum que seja eficaz para ele e para o público final dele.

Firmorama – Este é um grande problema, como a Carol comentou, há esta situação, quando a pessoa que aprova tende a trazer as coisas para seu “achismo”, eu acho que isso está assim, mude para ficar assado, mas temos bem claro aqui no estúdio que esta máxima não pode ser aplicada com olhos vendados, é preciso um meio termo, já que também temos que ter responsabilidade com nosso trabalho, mesmo que isto gere algum embate, aí vai do cliente, em tornar este processo em algo produtivo para que o resultado final seja algo coerente com o que se necessita, ou tornar o processo super cansativo e desgastante para todos. Mas nunca é legal que seu cliente saia com a impressão que o trabalho lhe deu mais dor de cabeça do que solução e resultados.

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Massa – A última, agora é hora de soltar o grito, agradecer, mandar beijo p/ a caravana, reclamar da entrevistadora… Suba no palanque e manda vê!
MFX – Gostaríamos de agradecer pelo convite da entrevista, e convidar todo mundo a acessar nosso site e nosso twitter. :) Abração!

Firmorama – Também queremos agradecer pela possibilidade de falarmos um pouco mais do trabalho com a MFX, e convidar os leitores do Massa para visitarem nosso novo site ( www.firmorama.com ) desenvolvido em parceria com a moçada da MFX, que fizeram um ótimo trabalho, ele está cheio de novidades, e projetos saindo direto do forno. Um grande abraço.

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Fica aqui o nosso agradecimento aos dois estúdios pela atenção e disponibilidade com o Massa. Abraço Massozo.

*da série ’sinta invejinha de mim’: eu participei do concurso do blog da MFX e fui uma das premiadas com o kit completo de papelaria =) Aha! Por isso eu tô por dentro dos acabamentos… Veja a foto! :P

Não preciso ficar aqui gastando meu vocabulário, que anda bem pobre por sinal, pra apresentar o Danilo Gentili. A grande dúvida é: O que o Danilo faz aqui no Massa? Elementar meu caro Watson, além de tudo que ele já faz, ele arranjou um tempo pra se dedicar ao seus desenhos. E vai lançar o livro Como se tornar o pior aluno da escola ilustrado por ele.
Segundo um trecho da biografia dele (no seu site), é um cartunista falido desde criança… Coleciona uma série de quadrinhos e uma galeria de personagens que jamais foram publicados. Na verdade verdadeira, nós do Massa ficamos condoídos com a situação dele e por isso decidimos fazer uma entrevista pra ver se com a divulgação sua situação econômica muda (brincadeira =D) . De qualquer forma, se tudo der errado ele pode tentar pleitar a bolsa família, e fica tudo certo! rsrsrs

Nome: Danilo Gentili
Site: http://danilogentili.com/

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Massa – Como surgiu a ideia do livro: “Como se tornar o pior aluno da escola”?
Danilo – Eu queria lançar um livro que se chamaria: “O grande livro dos pequenos planos”. Um apanhado de planos para zuar na escola e tirar vantagem na vida adulta. Apresentei pra editora. O Marcelo Duarte do Guia dos Curiosos gostou, só que um livro só disso talvez não rolasse. Ele, então, teve a brilhante ideia de lançar um livro onde falássemos das práticas do mau aluno e esses planos estariam no fim do livro, lacrados, secretos. Eu adorei, porque a ideia ia além do que eu tinha pensado e me dava a oportunidade de ser pior do que a princípio eu tinha pensado, além de ganhar dinheiro com as coisas que antigamente só me davam suspensão.

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Massa – Desde quando você desenha? Como você se envolveu com a ilustração?
Danilo – Eu faço essas coisas com a caneta desde sempre. Porém, desenhar de verdade eu nunca consegui fazer ainda.

Massa – Como é seu processo de desenho? Direto no computador ou primeiro a mão? Afinal, como os desenhos se materializam?
Danilo – Eu faço tudo na mão… lápis, caneta… No computador só pinto…
dia-do-orgasmo

Massa – Na ilustração, quem são suas referências? Por quê?
Danilo – Minha referência é o Leonardo da Vinci. Você acha que desenho igual ele?

Massa – Quando o livro vai ser lançado? E o que a gente pode esperar dele?
Danilo – Em dezembro. Esperem algo terrível! Ou nem tanto. Acho que vai ter mais adulto lendo o livro para se divertir lembrando-se da época da escola do que criança… Eu acho que o livro vai ser como os doces que comíamos quando criança. Vai ser doce e gostoso… mas se colocar em prática pode-se perder alguns dentes…

cqc2

Massa – Aquela pergunta básica que todo mundo faz, depois do CQC (além da exposição) o que mudou pra você?
Danilo – Tô mais cansado

Massa – Danilo essa é ultima! Pra fechar esse é o momento que você solta o verbo como quiser, pode mandar recado, reclamar, manda beijo pra caravana de piracicaba etc e tal :P . O Massa Cultural agradece a entrevista e paciência pra responder todas essas perguntas e deixa aquele abraço “massozo” pra você. Muito Massa!
Nunca votem em mim!
Danilo

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