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Dica do Massa: Curso de Direito Autoral

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A gente já falou sobre plágios e referências num de nossos 7×1, além disso o professor Hugo Backx escreveu um artigo muito bacana sobre plágio aqui pro massa.
Pra quem ainda tem interesse no assunto a Cemec oferece um curso de Direito Autoral nos dias 11, 12, 13 de abril com duração de 9 horas e ministrado pelo advogado na área da propriedade intelectual Guilherme Carboni.
A idéia do curso é discutir os principais aspectos do atual modelo de direitos autorais e sua aplicação na indústria cultural, sem perder de vista os desafios colocados pelas novas tecnologias e pelos novos modelos de negócio no campo das artes e da cultura. Com uma abordagem interdisciplinar, o curso é voltado para os profissionais do setor cultural em geral.

Pra quem quiser saber um pouco mais sobre o curso, só clicar aqui.


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As letrinhas do título já deixam claro que o tema desse 7×1 é TIPOGRAFIA.
E a gente chamou só os feras pra soltar o verbo aqui no Massa :D
Segue as respostas abaixo! (obrigado Fábio, Fátima, Isac, Marconi, Marina, Rafael e Tony… vocês são massa!!!)

01.

Já fazem alguns anos que a tipografia vem ganhando destaque no cenário do design nacional. Isso é um reflexo tanto do amadurecimento do designer, ao compreender em profundidade o quanto a tipografia pode impactar em seu trabalho e usar isso ao seu favor, como também resultado do sucesso que vários designers de tipos brasileiros estão fazendo no exterior, seja montando suas próprias empresas e formando alianças com distribuidores internacionais, ou em alguns casos, trabalhando diretamente para estas empresas.
Construir carreira na área da tipografia? Duvido muito que algum calouro entre na faculdade de design pensando em seguir a carreira de designer de tipos, como escolha profissional sensata, baseada na razão – se ele pensar em seguir esta vocação, é por amor ao desenho de letras; e sendo assim, não há porque ele não se dar bem. Sou a favor das pessoas fazerem o que tem paixão de fazer, isso as levará longe, não importando o que seja. Mas é verdade que o mercado é difícil, super restrito – acho que podemos contar nos dedos de uma mão os profissionais que vivem exclusivamente do design de tipos no Brasil. Mas há um número muito maior de pessoas que faz fontes como atividade complementar, um hobby que pode render bons royalties no final do ano, além de uma satisfação pessoal, claro, para os apaixonados.
Ao mesmo tempo que o mercado é difícil, ele nunca esteve tão fácil. Parece controverso, mas é a mais pura verdade. Hoje, não somente é mais fácil produzir uma fonte – nem vamos entrar em detalhes em como era isso antigamente – como também comercializa-la para o mundo todo, sem sair de casa.
Fabio Haag, Typedesigner e diretor da Dalton Maag na América do Sul – www.flickr.com/photos/fabiohaag

02.

O termo tipografia, ao longo do tempo, englobou uma série de atividades distintas relacionadas ao desenho e à composição com tipos. Do ponto de vista do design de tipos, podemos dizer que a cena da tipografia digital no Brasil teve início por volta da década de 1990. No intuito de explorar ao máximo e conhecer o potencial das novas ferramentas de trabalho digitais – como os softwares para gerar arquivos de fontes – os type designers brasileiros passaram por um período inicial de intenso experimentalismo, onde o desenvolvimento de fontes para título e fontes dingbats (fontes iconográficas, nas quais os caracteres de texto são substituídos por imagens), ao meu ver, foram as áreas mais expressivas de nossa produção.
Hoje, além de aprendermos com os grandes mestres de outros países com uma tradição tipográfica mais forte, também somos capazes de gerar conhecimento sobre tipografia, bem como produzir fontes digitais com qualidade tão primorosa quanto nossos concorrentes internacionais. Temos várias publicações sobre tipografia de autores nacionais, pesquisas de mestrado e doutorado dedicadas ao estudo do tema, e ainda uma revista brasileira que fala exclusivamente sobre esse universo – a Tupigrafia.
O Brasil também começa a se posicionar no mercado mundial das type foundries. O foco da produção brasileira, antes experimental, agora se aprimora no desenvolvimento de fontes para texto, com conjuntos de caracteres cada vez mais completos e versáteis para o uso em diversos idiomas. Vários profissionais brasileiros foram ao exterior em busca de maior especialização na área – na University of Reading [UK] ou na KABK [Holanda], por exemplo; cada vez mais parcerias são firmadas com foundries internacionais; e o Brasil também passa a comercializar fontes, principalmente a partir de sites de distribuição como o MyFonts. [Vale a pena consultar a busca cheap acomplia online do MyFonts e conhecer o trabalho de inúmeras foundries brasileiras.]
Para o designer que pretende trilhar o caminho da tipografia digital, há uma longa estrada pela frente, construída a partir de muita pesquisa e investimento, principalmente no aprendizado dos softwares para o desenvolvimento de fontes – como o FontLab -, bem como alguns recursos de programação mais avançados.
Apesar do Brasil já ser reconhecido no cenário internacional da tipografia, ainda temos muito que ampliar esse mercado. Grande parte dos type designers brasileiros, geralmente ainda não desenvolve de forma exclusiva essa profissão, que é compartilhada com atividades de ensino ou de projeto em outras áreas do design. Porém, como a tipografia é um campo em plena expansão no país, acredito que em poucos anos, poderemos ter um novo panorama, com o surgimento de empresas com equipes multidisciplinares especializadas exclusivamente no desenvolvimento de fontes digitais.
Fátima Finizola | Designer, Mestre em Design pela UFPE, colaboradora do projeto Crimes Tipográficos [www.crimestipograficos.com] e do site Tipos do Brasil [www.tiposdobrasil.com].

03.

A cena tipográfica brasileira está em rápido desenvolvimento, principalmente no sentido qualitativo. Não são somente mais pessoas se interessando por tipografia e design de tipos – surgem cada vez mais projetos de qualidade, tanto na área de design “com” tipos como na de design “de” tipos, na criação de novas fontes e famílias. O Brasil ainda tem uma vantagem nesse desenvolvimento tardio, que é exatamente a de não ter uma “maneira de ser” definida. Não temos tradição tipográfica e por isso mesmo temos liberdade de fazer o que quisermos sem culpa. Se você pensar em type design alemão, pode lembrar de fontes DIN ou talvez as góticas antigas, etc. Se pensar em tipos ingleses, também vai se deparar com uma série de características próprias. O type design brasileiro não é assim, e a experimentação que surge disso é atrativa para consumidores de tipos do mundo todo.
Sobre o mercado de trabalho, falando com sinceridade, é difícil. Tratando especificamente de produção de fontes, a não ser que você trabalhe em foundries consagradas, como o caso do Fabio Haag, na inglesa Dalton Maag, vai ter que seguir carreira “solo” e se dedicar para entender algumas coisas que nunca irão passar pela cabeça da maioria dos designers gráficos. É um trabalho árduo. Mesmo assim eu sou otimista. Acredito que seja possível viver só de fontes se você estabelecer um ritmo de produção e intercalar com projetos de fontes corporativas. Esse tipo de trabalho, que é raro por aqui, pode iniciar com o oferecimento de projetos de identidade visual fundamentados em um novo tipo corporativo, por exemplo. Digamos que seja preciso fazer uma marca para um restaurante. Porque então não incluir uma proposta oferecendo uma fonte exclusiva para a empresa? Pode parecer uma alternativa interessante para o cliente. Já as fontes a varejo podem trazer um belo retorno financeiro, que na minha opinião vale o trabalho duro. Como diz alguém da minha família, é um dinheiro que você vai ganhar sentado. Você faz uma fonte e só vai precisar esperar as pessoas comprarem indefinidamente, por anos (obviamente, mantendo-a atrativa, com promoções e outros mecanismos possibilitados pelas distribuidoras). Tem sido assim com a BaselSans (http://new.myfonts.com/fonts/isaco/basel-sans/), minha primeira fonte, e agora, de forma muito mais surpreendente, com a Monarcha (http://new.myfonts.com/fonts/isaco/monarcha/), que ultrapassou todas minhas expectativas. Então acredito que com umas 5 fontes de boa qualidade à venda seja possível, sim, conseguir um retorno significativo o bastante pra se pensar em “largar tudo” e trabalhar só com isso.
Isac Corrêa Rodrigues, designer gráfico e typedesigner www.flickr.com/photos/isaco

04.

Temos uma visibilidade crescente no que se refere ao design de tipos no Brasil. Relacione-se o número de eventos, publicações, cursos, exposições e, talvez, o índice mais significativo seja a inclusão da matéria tipografia na grade curricular de importantes instituições de ensino superior por todo o país. Podemos destacar algumas dessas iniciativas para efeito de registro tais como a Bienal Tipos Latinos, agora em sua 4ª edição e se firmando como o maior e mais importante veículo de divulgação da produção tipográfica na América Latina: a revista Tupigrafia, dos editores e typedesigners Cláudio Rocha e Tony de Marco. O curso Tipocracia,de Henrique Nardi, que já foi a quase totalidade dos estados brasileiros, contribuindo para a criação de uma cultura tipográfica no meio acadêmico e profissional. Além de uma dezena de conterrâneos que já fizeram ou estão fazendo mestrado em Typedesign em conceituadas instituições de ensino na Europa, como a KABK, na Holanda, e Reading, na Inglaterra. E mais recentemente a reunião de alguns designers sob a marca do coletivo Tipos do Brasil.
Ao lado dessa perspectiva, é interessante notar que surgem, a cada ano, novos designers de tipos brasileiros, com projetos criativos e consistentes, alguns deles premiados internacionalmente. Cada vez mais somos prospectados por grandes agências e escritórios de design que se mostram conscientes da importância e do poder que uma fonte customizada pode oferecer a estratégias de comunicação e branding. Escritórios que se dedicam em tempo integral ao desenvolvimento de fontes customizadas para o mercado global olham para a mão-de-obra local com bons olhos. Um desses escritórios já tem uma filial no Brasil. Outro tem entre seu quadro de colaboradores internos um brasileiro. Porém, o reconhecimento de que somos capazes de fazer aqui projetos de qualidade, respeitando seu valor de grandeza, ainda irão demandar um pouco mais de tempo. Que, espero, não seja demorado!
Essa é a tela atual do cenário tipográfico nacional, em rápidas pinceladas. Muita coisa está sendo realizada nos bastidores e, em breve, seremos impactados com excelentes novidades.

O mercado de Design de Tipos possui características muito peculiares. Porém, o business em si mesmo obedece, a meu ver, as mesmas regras básicas de qualquer outra área que busca sobrevivência num mercado competitivo e globalizado. Bons produtos/serviços, valores coerentes, parcerias estratégicas e uma comunicação eficaz colaboram para o êxito do negócio. Isso para ser sucinto! Vale dizer que o aparecimento de um bom designer de tipos não ocorre de pronto. É preciso muito tempo de dedicação para que os resultados comecem a surgir. Se eu pudesse resumir numa única palavra o que difere aqueles que são designers de tipos profissionais daqueles que são, digamos, experimentadores, eu diria que é: Disciplina. Palavras como conhecimento, criatividade, por exemplo, seriam redundantes, já que estamos nos referindo a um nicho de mercado criativo. De qualquer forma, pode parecer estranho, mas, apesar de termos tantas fontes, muitas outras precisam ser criadas!
Marconi Lima – designer gráfico e typedesigner www.flickr.com/photos/typefolio

05.

Ao meu ver o cenário é promissor. Na última década vimos o interesse pela tipografia crescer exponencialmente no Brasil, e nisso incluo a impressão tipográfica (letterpress), desenho de tipos (type design), lettering e o buy cheap drugs próprio design com tipos (tipografia). Revistas, livros, artigos, tipos, … materiais que antes eram exclusivamente importados, agora também são produzidos no país, e com qualidade. Assim, estes materiais servem de base para o desenvolvimento de novos talentos, tanto nos cursos e workshops, como nas disciplinas de tipografia que vem sendo incluidas nas grades curriculares dos cursos de graduação em design. Apesar de todas estas condições, o mercado de trabalho nesta área ainda é muito jovem, e pouco valorizado. De qualquer forma, acredito que a situação esteja mudando aos poucos, devido ao empenho dos tipógrafos/ type designers brasileiros que vem apresentando trabalho consistente, conquistando espaço no mercado nacional e projeção internacional.
Marina Chaccur – Designer gráfica atualmente morando em Den Haag na Holanda www.flickr.com/photos/marinachaccur

06.

O Brasil vive um momento singular no design de tipos. A cada ano a produção nacional vêem aumentando, se diversificando e ganhando corpo.
O ecletismo dos projetos é um diferencial e a “heresia” muitas vezes é o tempero local. Não existe uma preocupação em seguir uma “cartilha” ou “receita”. Os tipos para título predominam apesar de excelentes trabalhos voltados para texto começarem a despontar.
Porém é difícil mensurar esse mercado. Muitos projetos são comercializados no exterior e um percentual da venda é convertido em royalties para o designer Outras fontes são lançadas como freewares.
Algumas são usadas apenas pelos seus criadores em projetos gráficos específicos. O retorno financeiro se dá muitas vezes de maneira indireta e a longo prazo. Design de tipos é quase um sacerdócio (apesar de que algumas categorias religiosas têm lucrado bastante nos últimos tempos).
Rafael Neder – typedesigner e design gráfico rafaelneder.com.br

07.

A tipografia digital brasileira nasceu a pouco tempo, em 1989, com a fonte Sumô. A primeira revista a usar fontes feitas por brasileiros foi a Macmania, em 1993. Durante anos o type design ficou restrito a um pequeno grupo de curiosos com um computador na mão e algumas idéias iconoclastas na cabeça. Aos poucos foram surgindo cursos específicos de tipografia nas faculdades e muitos desses pioneiros se tornaram professores. Alunos desses cursos foram atras de especialização na Inglaterra e Holanda. Uns voltaram para ensinar, realimentando o ciclo, e outros estão trabalhando em type foundries internacionais. Muitos type designers, auto didatas como eu, criam e vendem suas fontes direto aos clientes ou através de sites “shopping center” como o MyFonts. A evolução da cena em 21 anos é evidente, mas o cenário não é bom. As vendas no mercado interno são baixíssimas e as type foundries brasileiras dependem dos compradores da Europa e Estados Unidos. Falta consciência ao diretores de arte das agências de propaganda, que ainda usam fontes gratuitas de péssima qualidade em anúncios para grandes anunciantes. Nesse caso quem paga o mico é o cliente.

O mercado brasileiro é incipiente, com poucas vendas corporativas e no varejo. As type foundries nacionais, como disse, vivem de suas vendas no mercado internacional. Ainda são poucos os cursos nas Universidades e os workshops independentes são esporádicos. Exceto a Just in Type nenhuma outra type foundry tem um programa de estagio. Portanto os interessados a ingressar na área tem apenas duas opções: o auto didatismo marrento e os cursos no exterior.
Tony de Marco, artista plastic e type designer – www.flickr.com/photos/tonydemarco

É isso pessoal, agora é com vocês! O espaço dos comentários está aberto para sua contribuição. O que você acha?


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Artigo Massa: Como lidar com os casos de plágio?

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Lembram do nosso 7×1 sobre Plágio e Referência? Se não lembra, acesse aqui e depois volte e leia esse post.
A idéia daquele 7×1 em especial, além da opinião dos convidados sobre plágio e referência, era dar um bônus pra vocês onde alguém com conhecimento de causa pudesse ajudar a responder a seguinte pergunta: Como lidar com os casos de plágio?
Depois de idas e vindas, e graças a imensa ajuda do Renato Faccini, um dos convidados daquele 7×1, conseguimos o contado do Professor Hugo Backx. Se ele não é a melhor pessoa pra responder essa questão, não sei quem é. Formado em Desenho Industrial e também Direito ele colaborou com o Massa e escreveu um artigo super esclarecedor sobre como lidar com o plágio.

Baixe o artigo aqui

O anexo está em pdf (secured) para evitar alterações de seu conteúdo. Quanto à reprodução (parcial ou integral) em outro local, sem fins lucrativos, somente pode ser feita mediante citação da fonte (autor e o blog).

Nas palavras do Hugo: ” Torço para que de alguma maneira seja útil para os que acessam o blog. Espero que o texto não soe muito ‘formal’ ou ‘acadêmico’, apesar do esforço Viagra cheap para torná-lo mais solto, porém o tema é um tanto ‘ácido’.”

Mais uma vez obrigado professor Hugo, você foi totalmente massa! E Renato Faccini graças a sua dica de ouro esse artigo está aqui hoje :D E vocês queridos leitores, aproveitem! Leiam e comentem o espaço pra discussão está aberto… ;)

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Hugo acomplia acomplia Backx é graduado em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986), graduado em Direito pelo Centro Universitário Augosto Motta (2000), mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), advogado (OAB/RJ 111472). É professor Assistente em regime de dedicação exclusiva no curso de Desenho Industrial – Habilitação Projeto de Produto (UFRJ). Tem experiência na área de design de produto, perícia judicial em contrafação de design, em Propriedade Intelectual e Propriedade Industrial. É coordenador do Laboratório de Propriedade Intelectual – Lapi / UFRJ.
Se você quiser entrar em contato com o autor e trocar uma idéia, envie email para: papodesign@backx.net

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Artigo Massa é um post esporádico onde convidados têm espaço para publicar um artigo, sobre qualquer tema, que tenha a ver com o jeitinho Massa Cultural de ser. O objetivo é mostrar o quanto tem gente com conteúdo massa por aí. E claro, criar uma bela discusão e troca de ideias com os Leitores Massa.


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A idéia desse 7×1 nasceu da gigantesca repercussão do caso de uma grande rede de varejo ter plagiado ilustrações em suas peças de roupas. Foi assim, durante uma conversa no gtalk, eu, a equipe do MassaCultural e o Henrique Nardi (Tipocracia) conversamos e conversamos até que a pergunta desse 7×1 apareceu… Acho que esse é um assunto super importante para todos os profissionais da área, e mais ainda para quem está começando sua carreira e está precisando de um norte. Aproveite a aula que nossos convidados nos deram e deliciem-se!

Como você lida com referências e qual sua opinião sobre os casos de plágio?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Eduardo, Elias, Fabiano, Hiro, Lya, Renato e Renato… vocês são massa!!!)

01.

Uso de referências e influências tem a ver com respeito ao que veio antes, com a humildade de reconhecer que ninguém faz algo sozinho e do nada. É um parâmetro para a criação.
Plágio é crime, e desrespeito com a obra do outro. Tem a ver com má fé e incompetência.
As referências são um dos principais alicerces para o meu trabalho, para tudo o que desenho e para as ideias que tenho. Podem vir de qualquer coisa: do trabalho de outros artistas visuais, da Música, do Cinema. Da Arte ou da observação direta da vida.
Procuro ter uma linguagem gráfica que seja bem original, mas tudo o que vejo e gosto pode influenciar meu desenho. Às vezes, vejo trabalhos de artistas que são um ímã pro meu estilo: gosto tanto que acabo inconscientemente levado a fazer parecido, mas aí eu tento digerir o que absorvo, para que não fique só refletindo a luz dos outros.
A ideia é transformar. Se eu não tiver nada de novo a dizer, acho que não vale à pena trabalhar com arte e criatividade.
Num sentido mais prático, gosto de trabalhar com a referência fotográfica, que garante uma qualidade de realismo em termos de proporções, perspectiva e composição, ao meu traço essencialmente errante e fluido. Gosto da mistura entre o caos das linhas e cores com a ordem que a foto impõe.
Procuro trabalhar sobre minhas próprias fotos, ou de amigos que me autorizam. Quando não dá, procuro fazer com que meu desenho seja o mais distante possível da referência, que se torne uma obra distinta, ainda que derivativa. É bom pra ética profissional e pra criatividade.
Acredito que ninguém plagia um trabalho sem saber o que está fazendo. Você pode até ser influenciado além do que deveria, ou quase copiar uma ideia sem saber que está copiando. Quando tua postura é autêntica, normalmente a reação é um “que droga! fiz parecido com o trabalho deste cara e nem percebi!”. No caso de quem plagia, existe má fé, e a ideia é um ingênuo “duvido que alguém descubra de onde copiei isto”, o que é estúpido: se o cara se acha malandro e plagia o trabalho de um ilustrador da Romênia, corre o risco de cair no twitter e ter o filme queimado mais rápido do que espera.
Já vi caso de pilantra montar um “portfolio online” carregado de trabalhos de terceiros, alegando autoria. Isso não tem nada a ver com influência, e sim com transgressão às leis de direito autoral, que são uma proteção autêntica para as pessoas que vivem de sua produção intelectual. É preciso desencorajar o plágio, informando profissionais e amadores, denunciando e punindo quem o comete.
Eduardo Nunes, ilustrador – FLICKR

02.

Referências são muito úteis. No ramo de ilustração, dificilmente encontraremos grandes ilustradores que não façam uso de referências, produzidas por eles mesmos ou de outros profissionais. Eu tenho um banco de imagens dos que considero grandes nomes da ilustração, sempre que tenho uma ilustração a fazer, vasculho estas referências e vejo como eles resolveram estéticamente algo que eu tenha que fazer neste trabalho. Certas vez preparando o jantar, enquanto fazia umas panquecas, percebi que sua textura me serviria como ferrugem, já utilizei as fotos das minhas panquecas em dois trabalhos (auto-retrato Wolverine e Capa da MAD 23), mas o que isso tem a ver?
Quando fui convidado para fazer parte deste 7×1, comecei a escrever desenfreadamente. Nossa! Quanta coisa para falar a respeito, até que parei e fui ler o que havia escrito. O texto parecia um dejavu, então resolvi dar uma pesquisada na internet pra ver o que escreviam sobre o assunto. Pásmem!! meu texto era “plágio” de pelo menos uma dúzia de outros, que jamais tinha visto.
Hoje a quantidade de informação (visual/textual) disponível na internet e a impressionante facilidade com que se descobrem os plágios ou coincidências, tenham tornado este tema tão discutido. Como alguém falou em um dos textos de que “plagiei”, “precisamos ser muito mais criativos hoje”!
E principalmente mais atentos, vc pode estar se envolvendo em um caso de coincidências, mas que hoje talvez possa ser interpretado como plágio.
Vou citar um exemplo, em 2006 fiz um curso de design com o grande mestre Alexandre Wollner, na metade de uma das aulas, querendo apimentar, questionei sobre a incrível semelhança entre o logo da Compesca criado por ele e o da CESP-Centrais Elétricas de São Paulo criado pela Cauduro Martino ( ambos de 1966), ele deu um leve sorriso e respondeu que na época houve uma leve discussão a respeito mas depois os dois lados perceberam que seria impossível um ter copiado do outro. Na época, os desenhos racionalistas tendiam a se aproximar das 3 formas geométricas básicas o que tornava possíveis estas coincidências. Hoje, será que esta história teria um desfecho tão veloz e pacífico como foi?
Elias de Carvalho Silveira , ilustrador e designer – FLICKR

03.

Referências me instigam à investigação, me fazem pensar. Eu procuro aprender com elas. Uma boa referência é um norte, uma orientação. Ajuda, clareia e inspira. É um dos ingredientes, por assim dizer, de um complexo processo criativo. Plágio não tem processo e não é nada criativo.
Fabiano Silva (o Silva), ilustrador – FLICKR

04.

Sobre as referências:
Referências para um ilustrador é o mesmo que conteúdo, seja ele como referência figurativa ou como referência de aprendizado. Faz parte da ferramenta de um ilustrador, assim como o papel, o lápis ou a criatividade, e a referência não vem só do Google, vem de todos meios possíveis, de livros e revistas, passando por fotos de família até filmes e videogames. Tudo pode ser referência para quem trabalha com desenho.
Referência figurativa é aquela que você usa quando precisa ilustrar algo para um trabalho e não sabe ou não tem segurança de ilustrar de memória. Por exemplo, quando um job pede uma ilustração de um esturjão macho ou de um interocitro. Ninguém tem obrigação de saber como é um esturjão macho, para isso serve a entidade Google. O papel do ilustrador, nesse caso, é o de interpretar essa referência fotográfica em algo diferente, não simplesmente desenhando por cima da foto, pois estamos precisando de informação de FORMA e não de IDÉIA. É função do ilustrador mudar a posição, perspectiva, qualquer coisa para que o desenho não fique exatamente como a foto, pois a fonte original pode e deve ter direitos autorais e patrimoniais. Como hoje em dia é muito fácil conseguir a referência mas não a fonte, todo cuidado é pouco, principalmente se seu cliente for grande, onde as questões jurídicas, que envolvem penalidades e restrições, são elevadas de forma exponencial. Sempre deve-se considerar a referência desse tipo apenas como um apoio, um suporte, não como a base principal do desenho.
Mais complicado é a referência de aprendizado. Todo ilustrador, pelo menos aqueles realmente interessados pela arte do desenho, sempre está fuçando a internet e livrarias, olhando trabalhos de ilustradores novos e veteranos. Nada estimula tanto a vontade de desenhar e criar novas soluções do que ver o trabalho de artistas que sabem fazer o que fazem com muita segurança.
Todo ilustrador tem alguma insegurança em algum momento da carreira, aquele ponto obscuro que ele acho que é deficiente e sabe que precisa aprimorar. Você aprimora através de cursos e da prática constante. Como um ilustrador que sente que não sabe solucionar muito bem expressão facial, não sabe solucionar os olhos ou a boca dos seus personagens.
Nessa hora, a prática constante leva a um ponto de círculo vicioso, onde ele só é quebrado através de uma referência externa. Quando seus olhos se iluminam quando encontra um ilustrador que desenha exatamente o que ele precisa melhorar.
Não há nada errado em COPIAR o traço, estilo ou as soluções de outro ilustrador, contanto que isso esteja DENTRO DE UM CONTEXTO DE TREINO E APRENDIZADO – em sketchbooks, cadernos de rascunhos, mas nunca em um trabalho pago. Vários ilustradores, incluindo eu, concordam que o fato de copiar um estilo junto com a autocrítica e a prática constante vai transformar esse estilo, em um primeiro momento inseguro, mas estimulado por estar no caminho certo, em seu estilo próprio. Ou seja, quando praticado constantemente, esse traço irá se transformar em outro, o seu traço. É nessa hora que esse traço, essa solução pode ver a luz do dia. E agora esse sujeito, que no começo copiava olhos e expressões faciais de outro ilustrador, tem seu estilo próprio que partiu de outro mentor. E quando ele se cansar desse tipo de desenho, ele novamente irá procurar por outra referência, outra busca criativa que lhe irá satisfazer, ao mesmo tempo que seu desenho mais maduro pode estimular outro ilustrador em começo de carreira em fazer o mesmo, completando o círculo da vida da ilustração.

Sobre o plágio:
Primeiro com diálogo em primeira pessoa, e se não funcionar, em terceira pessoa do jurídico.
Não discutirei aqui sobre o plagiador comercial, aquele que não ilustra, mas aquela lojinha ou empresa que encontra sua imagem na internet e coloca em seu produto sem pedir permissão ou pagar por algo. Para isso é que existem advogados.
A questão aqui deve ser concentrada no ilustrador ou artista que plagia conscientemente. Para este falta alguma coisa muito importante. Ou juízo ou caráter. Ou ambos.
Quando um ilustrador simplesmente nega o principal fator que faz dele ser digno de ser chamado de ilustrador – e não estou falando só do traço, mas também da idéia, essa sim a assinatura mais contundente do profissional – e troca pela imagem, pela idéia e solução de outra pessoa mais talentosa do que ele, é um carimbo na testa de mediocridade e falta de caráter. Nenhuma carreira é construída sobre uma mentira.
Porém, como o mundo não é perfeito, inclusive na questão do “aponte o dedo e enforquem o bandido”, acho que sempre devemos tomar muito cuidado antes de jogar lama e fezes no acusado, até porque certas palavras e reputações não dão marcha ré.
Criptoaminésia é uma pegadinha que o cérebro faz de vez em quando. Qualquer um, inclusive ilustradores, pode passar por isso. Quando você vê uma referência, uma ilustração, uma charge, qualquer coisa, e um dia você reproduz a mesma idéia e simplesmente esquece que a viu um dia, achando que foi você o criador. Acusá-lo de plágio é correto, mas não é justo. Ou seria justo, mas não correto? De qualquer forma, é por isso que eu disse que, não importa qual a situação, primeiro o diálogo, e se não funcionar, jurídico.
Hiro Kawahara, ilustrador – cheap online cialis target=”_blank”>/blog.hiro.art.br

05.

Sempre busquei referências. As boas referências te ajudam a crescer, fazem parte do trabalho e acho muito importante buscá-las. Ela enriquece tua memória visual e assim, quando fores projetar, ela aparece da forma como foi traduzida por ti. É a diferença básica para uma cópia, um plágio. Num caso desse, a idéia (da tua referência) é simplesmente transplantada para o teu trabalho, tem a identidade de quem a criou. Infelizmente dentro da área gráfica, nunca vi um caso de plágio ser resolvido de forma justa, algo que eu acredito que deveria acontecer. E sem a devida punição, há quem continue praticando.
Lya Zumblick, designer – www.lyazumblick.com

06.

“Uso referências visuais em meu trabalho como ilustrador com uma certa frequência. Se são fotos garimpadas no Google, por exemlo, procuro sempre descaracterizar o material de pesquisa, seja imprimindo nele meu traço pessoal ou distorções expressivas, seja combinando-o de forma híbrida com outras referências. Busco enfim distanciar-me do original tanto quanto possível.
O uso de referências para criar desenhos pode às vezes ser um processo semelhante ao sampling na música, no qual apenas fragmentos da canção original (um riff, uma batida…) evocam de maneira distante a matriz. É uma nova música, com alguns genes daquela primeira música no seu DNA.
Plágio é diferente. É copiar integralmente ou em boa parte a obra ou a ideia de outro artista e assiná-la como sendo sua. Isso é eticamente condenável.
Os casos de plágio dos quais soube recentemente envolveram usos comerciais de trabalhos alheios. Aconteceu com uma grande rede de lojas de roupas, que estava vendendo camisetas com estampas usadas sem autorização. Naquele caso específico , a culpa me pareceu ser dos fornecedores das roupas e não da rede de lojas em si. Achei inclusive que o pedido de indenização dos artistas foi um tanto desproporcional em relação ao dano causado, inclusive moral. Para ser sincero acredito que nem tenha sido plágio, mas “uso não-autorizado da imagem”.
É importante conversar antes sempre, antes de partir para a via litigiosa. Mas se for este o caso, que seja com um advogado que compreenda as questões abordadas e não faça do caso o seu pote de ouro.
Renato Alarcão, ilustrador e designer – www.renatoalarcao.com.br

07.

Cialis buy cheap class=”alignleft size-full wp-image-6156″ title=”Renato Faccini” src=”http://www.massacultural.com/wp-content/uploads/2010/07/Renato-Faccini.jpg” alt=”" width=”200″ height=”214″ />A palavra referência está virando um termo maldito. Começou a ser usada a torto e a direito de qualquer maneira dentro do mercado. Na verdade, dizer que começou é um chute meu, porque eu não sei dizer há quanto tempo isso acontece, mas é como eu vejo agora. Mas claro, dá para dizer com uma certa segurança que o Google agravou a situação, se é que ela existia antes. As pessoas buscam desesperadamente por imagens antes de começar um trabalho, e nada é feito até que a pasta de referências esteja entupida. Às vezes dias são gastos com essa pesquisa, e nesse meio tempo acontece muito do designer, ilustrador ou publicitário que seja se perder em um vórtex de onde ele sofre pra sair. Ele passa do ponto da pesquisa e entra na fase do acúmulo de informações inúteis ou, pior ainda, na fase de ser tão influenciado que começa a criar cópias. Ou ainda, tão absurdamente pior que definha minha alma, copia de propósito. E o mais absurdo desse caso é que a coisa tem um efeito inverso! Uma das razões de se fazer uma pesquisa é conhecer o que já existe para evitar cópias, certo?
A maneira correta de se lidar com as referências é usá-las para construir um perfil do trabalho. Mas mesmo assim eu recebo pedidos de “seguir fielmente a referência”, que acabam significando exatamente “copie”. Então, sempre que eu vou fazer as minhas pesquisas, tomo o cuidado de parar quando percebo que a quantidade de informação está no limite.
Isso é fácil de medir pelo bom senso.
Fazer a pesquisa é ótimo e essencial, não deixe nunca de fazer! Mas por favor, cópia é uma coisa e referência é outra.
E se você receber um pedido de cópia, negue. Não faz bem para o trabalho, nem para o mercado, nem para o seu coração.
Renato Faccini, ilustrador e designer – www.estabelecimento.com.br

É isso pessoal, agora é com vocês! O espaço dos comentários está aberto para sua contribuição. Como você responderia a pergunta desse 7×1?


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Essa é pra todas aqueles que querem decidir o rumo das suas carreiras:

Qual é o lado bom e o lado ruim de ser freelancer?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Alice, Carol, Douglas, Eduardo, Juliana, Leandro e Thiago… vocês são massa!!!)

01.

O Melhor de ser freelancer é fazer o próprio horário. No meu caso, especialmente no verão, sou uma freelancer bem feliz. Escolho sempre ir a praia no período da tarde e trabalho toda a madrugada. Adoro poder escolher tirar uma segunda feira livre (ao buying cialis online invés de um domingo que sempre tem um gostinho estranho no final do dia) e curtir os lugares vazios só pra mim enquanto sei que todos estão trabalhando dentro de um lugar fechado!
O pior é não ter carga horária ou salário fixo. Como freelancer quando vou pra casa, o trabalho está junto comigo. Infelizmente, o telefone funciona além do horário comercial. O volume de trabalho varia a cada mês e não sei precisamente quanto vou ganhar. Freelancer precisa estar sempre correndo atrás pra garantir uma média boa de trabalho/$ por mês.
Ainda assim, morando em Floripa, a praia vale a pena!
Alice Linck, fotógrafa e designer – www.alicelinck.com.br

02.

Sou freelancer fulltime há poucos meses, mas uma das coisas que estou mais gostando no momento é a praticidade de trabalhar no formato home office. As horas que eu antigamente perdia no trânsito, dentro do carro ou do ônibus, agora são aproveitadas de formas mais produtivas, convertidas em qualidade de vida. Essa liberdade de horários também facilita bastante a programação de viagens, cursos e estudos, atividades que eu considero fundamentais.
Um ponto negativo de ser freelancer, e que estou tendo dificuldades para me adaptar, é ter que exercer muitas funções ao mesmo tempo: atendimento, prospecção, coordenação, secretária… Muitas vezes nessa confusão de papéis sobra pouco tempo para minhas funções principais, design gráfico e ilustração. Sem contar que nem sempre o freelancer é bom nessas outras tarefas, ou gosta de exercê-las.
Outro lado negativo para mim é trabalhar sozinha, não ter alguém por perto para conversar, trocar idéias, tirar dúvidas e aprender. Esta é a parte que estou achando mais desafiadora, pois sempre gostei muito de interagir com meus colegas de estúdio.
Carol Rivello, designer e ilustradora – www.carolrivello.com

03.

Na minha opinião,o melhor de se trabalhar como freelancer, é poder fazer o próprio horário e não se sujeitar ao trânsito diariamente.Ter sempre uma variedade de trabalhos e clientes ajuda a não se sentir preso e limitado por um determinado nicho de atuação,algo que acaba sempre provocando nossa evolução como artistas,uma vez que sempre temos que aprender coisas novas a cada novo desafio.A liberdade de poder sair no meio do “expediente” para assistir um filme no cinema ou praticar desenho de observação no Zoológico também é uma recompensa e tanto.
Já a pior parte é não poder contar com um décimo terceiro salário e férias como a maioria dos profissionais,e ter que administrar sua própria empresa,cuidando da parte burocrática relativa a contratos,impostos,contador e etc, algo que nenhum dos artistas que conheço aprecia e acaba tomando muito do nosso tempo.
Prospecção de novos clientes, as crises e oscilações da economia passam a ser uma preocupação sua, e não da empresa para a qual você trabalha quando se é um funcionário.
Douglas Ferreira,ilustrador e animador,37 anos – www.douglasferreira.com

04.

Sempre que me perguntam sobre como é a vida de freelancer eu começo a resposta com a palavra “instável”. Pelo menos comigo funciona assim. E nem sempre é apenas financeiramente.
Sou freelancer desde 2008. Antes eu trabalhava como diretor de arte em uma agência local e resolvi sair por dois motivos: queria ganhar mais e poder alçar voos maiores. Comecei a sentir que não evoluía mais onde estava trabalhando e resolvi arriscar na vida dos freelas.
Como qualquer outra coisa na vida, ser freelancer tem seus prós e contras, inclusive nos próprios prós têm contras e vice-versa. Não entendeu? Calma, eu explico com uns exemplos:
Não ter chefe – Isso é um pró ou um contra? Pra mim é um ponto a favor, porque assim posso lidar com todos os processos do projeto, participo de mais etapas e aprendo mais. Mas tem gente que precisa de um auxílio, de uma liderança, seja pra falar com o cliente ou até mesmo por questões disciplinares. Sem um chefe, você precisa se policiar mais, ser rigoroso com você mesmo.
Fazer seu próprio horario – Outro ponto que a disciplina torna-se indispensável. As vezes me dou ao luxo de assistir uma partida da Champions League, no sofá, tomando Coca e comendo chocolate, às 16h. Talvez fazendo isso eu precise trabalhar mais a noite, mas é uma flexibilidade que posso e gosto de ter.
Conversar diretamente com o cliente – Dependendo do cliente, pode ser legal, pode ser um grande aprendizado. Só é ruim quando o cliente não entende muito bem do que quer, não possui um briefing e aí você precisa fazer o papel de atendimento. Eu não gosto, mas sou obrigado a fazer.
Solidão – No meu caso, trabalho em casa. É gostoso, mas às vezes sinto falta de trabalhar em equipe, poder trocar ideias e conversar com as pessoas.
Fama de desempregado – Pra algumas pessoas, ser freelancer é sinônimo de desemprego. Não é, mas tem sim gente que acha você só trabalha por conta porque não consegue um emprego fixo.
Poder trabalhar de pijamas – Isso pra mim nunca foi vantagem. Confesso que, no começo, achei que pudesse trabalhar com o conforto dos meus pijamas, mas não funcionou na prática. Eu preciso tomar banho, trocar de roupa, colocar cinto e tênis, senão eu não funciono.
Pra finalizar, algumas dicas para quem quer se aventurar no mundo freelancer: seja disciplinado, cumpra seus prazos, cobre um valor justo pelo seu trabalho e seja profissional, trate seus clientes com respeito e exija o mesmo.
Eduardo Duccigne, designer de interface e diretor de arte – www.ilusorium.net

05.

Bom, acho que como toda escolha, ser freelancer também tem dois lados, um bom e outro ruim.
Começando pelo lado que considero “negativo”, acho que, na minha concepção, o que complica um pouco a vida de freelancer é a questão de receita variável, de muitas vezes não termos certeza se o projeto terá continuidade, se o cliente irá pagar como combinado – o medo do tão fadado calote. Outro aspecto que complica, mas nada que uma boa disciplina não ajude, é a questão de trabalhar em casa, de não ter ninguém cobrando e a responsabilidade com o cliente porque, nesse caso, não existe um chefe intermediário, a responsabilidade é só nossa. Ter disciplina pra ter horários de trabalho, prazos, lidar diretamente com fornecedores, pode ser um pouco complicado caso o freelancer não saiba tomar ações em várias áreas distintas além da criação. Algumas pessoas também acham que a questão de isolamento, de não ter companheiros, pode ser prejudicial pois sentem falta de trocar idéias e informações com outros profissionais (nesse caso eu sempre me mantenho conectada ao msn e troco idéias online mesmo, e ajuda bastante!).
Bom, o lado positivo, pra mim, é bem mais importante, lógico! A nossa linha de profissão – que eu prefiro classificar como “criativos” pois se encaixa para designers de todos os tipos, redatores, publicitários e por aí vai – tem, ao meu ver, um sério problema para se enquadrar ao modelo, ainda antigo, de trabalho que temos implantado no país. Muitas empresas ainda precisam da presença física da pessoa no ambiente de trabalho, o bater ponto, ter alguém sempre cobrando, ter a relação empregado-patrão muito exacerbada etc etc e etc… só que, como trabalhamos com criação, dependendo do profissional, esse tipo de ambiente é prejudicial pois certas regras não se encaixam quando se cria. Infelizmente, às vezes, não estamos inspirados naquelas exatas 8 horas de trabalho e não podemos sair, ler um livro, relaxar a mente pra que se consiga enfim, criar algo. E nesse meio tempo, existe a cobrança intermitente e ai acabamos fazendo qualquer coisa para entregar e aí surge uma certa frustração pois se sabe que poderia ter feito um trabalho bem melhor.
Relacionando isso ao fato de se trabalhar em casa, claro que existem todas essas exigências, mas nesse caso, a flexibilidade de tempo, ou seja, não preciso bater ponto as 8 da manhã e sim poder começar a trabalhar as 11 horas por exemplo, pode facilitar o processo criativo. Acho que a sensação de você ter uma liberdade maior de tempo ajuda muito no desenvolvimento das idéias. Fora que, sempre achei errado mas, enquanto você esta no trabalho formal parece que sua vida tem que parar, você não pode resolver problemas, tem sempre que inventar alguma desculpa para ir a um médico ou a um banco… e como freelancer, sabendo dividir bem as horas do dia, pode se fazer tudo isso e ainda desenvolver um bom trabalho. Afinal de contas, hoje em dia temos a tecnologia a nosso favor, que nos ajuda e muito a ganharmos tempo, ainda mais em São Paulo, onde metade da sua semana termina perdida no trânsito. Fora isso, ainda existe a possibilidade de escolher melhor os projetos, não tendo que fazer tudo que seu chefe manda! hehehehe
Resumindo um pouco essa ópera, eu acho muito mais produtivo se trabalhar como freelancer (e nesse caso pode-se trabalhar com outras colaboradores também) pois ter a sensação de domínio da sua própria vida e do seu próprio tempo, retira muitas cobranças e pesos dos ombros nos tornando assim, profissionais realmente criativos. Mas pra isso é necessário, sem sombra de dúvidas, experimentar o mercado em agências e escritórios, agregar experiência e aí sim, cada um sente o que se encaixa melhor no seu estilo de vida. Afinal, somos designers e a profissão é uma parcela da nossa vida, que deve ser ótima em todos os aspectos e não só de um lado. Saber balancear as atividades profissionais com as pessoais é fundamental para sermos ótimos “criativos” e indivíduos e nisso, para mim, a vida de freelancer é perfeita!
Juliana G. Morozowski, designer e diretora de arte – www.behance.net/jmorova

06.

Trabalhar como freelancer tem seus extremos. O objetivo maior de pegar trabalhos não vinculados a uma agência ou escritório de design é ter autonomia para se criar uma peça ou campanha, onde o contato direto com o cliente ajuda no desenvolvimento dos jobs havendo muitas vezes uma produtividade maior, além ter a certeza de que 100% do valor passado será embolsado. Mesmo assim alguns clientes “freela” são uma pedra no sapato, pois não só acham que sabem desenvolver algo como querem fechar o valor sempre depois, onde muitas vezes desvalorizam o trabalho produzido. Outra parte ruim é a falta de tempo, que faz com que o profissional que opta pelo PF (por fora) perca muitas noites de sono.
Leandro Cachoeira, diretor de arte – leandrocachoeira.wordpress.com

07.

Acredito que antes de definir prós e contras de ser freelancer, o designer tem que definir e saber em qual metodologia e estilo de rotina de trabalho que ele mais se encaixa. Sendo em primeira vista sucinto, alguém que tem um rotina mais regrada verá mais contras do que prós de se trabalhar como freelancer, e quem não possui uma rotina provavelmente verá maior facilidade de trabalhar com freelas.
Enumerando as vantagens de se trabalhar como freelancer, em primeiro lugar destacaria a maleabilidade de horário. O fato de você não ter horário fixo, faz com que você monte seu cronograma de freelas. Você pode estar numa plena terça-feira, 3 horas da tarde e caminhando no ibirapuera, porém na madrugada você pode estar dentro de uma agência virando a noite pra entregar o layout pronto na primeira hora do dia. Outra facilidade é a questão do network, conforme você vai pegando freelas e vai “pingando” em várias agências, se você tiver um projeto bom, com certeza a agência confia em você pra que sempre apareça uma oportunidade ela lembre de você, e isso faz com que você fique conhecido no mercado e no meio profissional em quem você vive, então com facilidade você vai adquirindo “renome” no mercado. E isso te dá bagagem para que num curto período, você possa abrir sua própria empresa. Isso te remete a independência total, você poder ter a sua empresa com seus clientes onde você aplica a sua metodologia. Outra vantagem que está aliado a isso é referência e experiencia. E bom para todo designer beber de várias fontes.
Como desvantagem, assim como citei acima que é uma vantagem você montar seu cronograma, e você pode numa terça-feira, estar passeando, tem seu lado ruim, que é o fato de você ficar uns finais de semana preso dentro de uma agência, e isso que eu digo não é um caso a parte, e sim uma realidade. Outro revés, é a questão financeira. O fato de você não ter uma renda fixa, faz com que você tenha uma planejamento melhor do seu capital. Pois pode ter meses que você ganhe até 5x mais do que a média q você tem por mês, porém, pode ter fases de “vacas magras”. Aí é administração financeira de saber lidar com essa situação.
Para concluir, sou muito favorável a vida de freelancer, que proporciona a pessoa um processo mais acelerado de independência. Porém acho válido em algum momento da sua carreira profissional, vc passar um período em um lugar fixo, pois existe uma possibilidade muito grande, de ficando só como freelancer é você quem decide as diretrizes do projeto, e em um lugar fixo, existe alguem superior a você, que pode agregar valor no seu projeto de criação. Como experiência pessoal atualmente eu trabalho em uma agência, e também, trabalho como freela, se for interpretar o trabalho fixo é a segurança e os trabalhos de freela é onde eu posso dar os vôos um pouco mais altos. ;)
Thiago Marti – designer gráfico e diretor de arte – www.thiagomarti.com.br

E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! Qual é o lado bom e o lado ruim Cheap Alli Online Without Prescription de ser freelancer?

7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!


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