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Lembram do nosso 7×1 sobre Plágio e Referência? Se não lembra, acesse aqui e depois volte e leia esse post.
A idéia daquele 7×1 em especial, além da opinião dos convidados sobre plágio e referência, era dar um bônus pra vocês onde alguém com conhecimento de causa pudesse ajudar a responder a seguinte pergunta: Como lidar com os casos de plágio?
Depois de idas e vindas, e graças a imensa ajuda do Renato Faccini, um dos convidados daquele 7×1, conseguimos o contado do Professor Hugo Backx. Se ele não é a melhor pessoa pra responder essa questão, não sei quem é. Formado em Desenho Industrial e também Direito ele colaborou com o Massa e escreveu um artigo super esclarecedor sobre como lidar com o plágio.

Baixe o artigo aqui

O anexo está em pdf (secured) para evitar alterações de seu conteúdo. Quanto à reprodução (parcial ou integral) em outro local, sem fins lucrativos, somente pode ser feita mediante citação da fonte (autor e o blog).

Nas palavras do Hugo: ” Torço para que de alguma maneira seja útil para os que acessam o blog. Espero que o texto não soe muito ‘formal’ ou ‘acadêmico’, apesar do esforço para torná-lo mais solto, porém o tema é um tanto ‘ácido’.”

Mais uma vez obrigado professor Hugo, você foi totalmente massa! E Renato Faccini graças a sua dica de ouro esse artigo está aqui hoje :D E vocês queridos leitores, aproveitem! Leiam e comentem o espaço pra discussão está aberto… ;)

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Hugo Backx é graduado em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986), graduado em Direito pelo Centro Universitário Augosto Motta (2000), mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), advogado (OAB/RJ 111472). É professor Assistente em regime de dedicação exclusiva no curso de Desenho Industrial – Habilitação Projeto de Produto (UFRJ). Tem experiência na área de design de produto, perícia judicial em contrafação de design, em Propriedade Intelectual e Propriedade Industrial. É coordenador do Laboratório de Propriedade Intelectual – Lapi / UFRJ.
Se você quiser entrar em contato com o autor e trocar uma idéia, envie email para: papodesign@backx.net

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Artigo Massa é um post esporádico onde convidados têm espaço para publicar um artigo, sobre qualquer tema, que tenha a ver com o jeitinho Massa Cultural de ser. O objetivo é mostrar o quanto tem gente com conteúdo massa por aí. E claro, criar uma bela discusão e troca de ideias com os Leitores Massa.


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A idéia desse 7×1 nasceu da gigantesca repercussão do caso de uma grande rede de varejo ter plagiado ilustrações em suas peças de roupas. Foi assim, durante uma conversa no gtalk, eu, a equipe do MassaCultural e o Henrique Nardi (Tipocracia) conversamos e conversamos até que a pergunta desse 7×1 apareceu… Acho que esse é um assunto super importante para todos os profissionais da área, e mais ainda para quem está começando sua carreira e está precisando de um norte. Aproveite a aula que nossos convidados nos deram e deliciem-se!

Como você lida com referências e qual sua opinião sobre os casos de plágio?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Eduardo, Elias, Fabiano, Hiro, Lya, Renato e Renato… vocês são massa!!!)

01.

Uso de referências e influências tem a ver com respeito ao que veio antes, com a humildade de reconhecer que ninguém faz algo sozinho e do nada. É um parâmetro para a criação.
Plágio é crime, e desrespeito com a obra do outro. Tem a ver com má fé e incompetência.
As referências são um dos principais alicerces para o meu trabalho, para tudo o que desenho e para as ideias que tenho. Podem vir de qualquer coisa: do trabalho de outros artistas visuais, da Música, do Cinema. Da Arte ou da observação direta da vida.
Procuro ter uma linguagem gráfica que seja bem original, mas tudo o que vejo e gosto pode influenciar meu desenho. Às vezes, vejo trabalhos de artistas que são um ímã pro meu estilo: gosto tanto que acabo inconscientemente levado a fazer parecido, mas aí eu tento digerir o que absorvo, para que não fique só refletindo a luz dos outros.
A ideia é transformar. Se eu não tiver nada de novo a dizer, acho que não vale à pena trabalhar com arte e criatividade.
Num sentido mais prático, gosto de trabalhar com a referência fotográfica, que garante uma qualidade de realismo em termos de proporções, perspectiva e composição, ao meu traço essencialmente errante e fluido. Gosto da mistura entre o caos das linhas e cores com a ordem que a foto impõe.
Procuro trabalhar sobre minhas próprias fotos, ou de amigos que me autorizam. Quando não dá, procuro fazer com que meu desenho seja o mais distante possível da referência, que se torne uma obra distinta, ainda que derivativa. É bom pra ética profissional e pra criatividade.
Acredito que ninguém plagia um trabalho sem saber o que está fazendo. Você pode até ser influenciado além do que deveria, ou quase copiar uma ideia sem saber que está copiando. Quando tua postura é autêntica, normalmente a reação é um “que droga! fiz parecido com o trabalho deste cara e nem percebi!”. No caso de quem plagia, existe má fé, e a ideia é um ingênuo “duvido que alguém descubra de onde copiei isto”, o que é estúpido: se o cara se acha malandro e plagia o trabalho de um ilustrador da Romênia, corre o risco de cair no twitter e ter o filme queimado mais rápido do que espera.
Já vi caso de pilantra montar um “portfolio online” carregado de trabalhos de terceiros, alegando autoria. Isso não tem nada a ver com influência, e sim com transgressão às leis de direito autoral, que são uma proteção autêntica para as pessoas que vivem de sua produção intelectual. É preciso desencorajar o plágio, informando profissionais e amadores, denunciando e punindo quem o comete.
Eduardo Nunes, ilustrador – FLICKR

02.

Referências são muito úteis. No ramo de ilustração, dificilmente encontraremos grandes ilustradores que não façam uso de referências, produzidas por eles mesmos ou de outros profissionais. Eu tenho um banco de imagens dos que considero grandes nomes da ilustração, sempre que tenho uma ilustração a fazer, vasculho estas referências e vejo como eles resolveram estéticamente algo que eu tenha que fazer neste trabalho. Certas vez preparando o jantar, enquanto fazia umas panquecas, percebi que sua textura me serviria como ferrugem, já utilizei as fotos das minhas panquecas em dois trabalhos (auto-retrato Wolverine e Capa da MAD 23), mas o que isso tem a ver?
Quando fui convidado para fazer parte deste 7×1, comecei a escrever desenfreadamente. Nossa! Quanta coisa para falar a respeito, até que parei e fui ler o que havia escrito. O texto parecia um dejavu, então resolvi dar uma pesquisada na internet pra ver o que escreviam sobre o assunto. Pásmem!! meu texto era “plágio” de pelo menos uma dúzia de outros, que jamais tinha visto.
Hoje a quantidade de informação (visual/textual) disponível na internet e a impressionante facilidade com que se descobrem os plágios ou coincidências, tenham tornado este tema tão discutido. Como alguém falou em um dos textos de que “plagiei”, “precisamos ser muito mais criativos hoje”!
E principalmente mais atentos, vc pode estar se envolvendo em um caso de coincidências, mas que hoje talvez possa ser interpretado como plágio.
Vou citar um exemplo, em 2006 fiz um curso de design com o grande mestre Alexandre Wollner, na metade de uma das aulas, querendo apimentar, questionei sobre a incrível semelhança entre o logo da Compesca criado por ele e o da CESP-Centrais Elétricas de São Paulo criado pela Cauduro Martino ( ambos de 1966), ele deu um leve sorriso e respondeu que na época houve uma leve discussão a respeito mas depois os dois lados perceberam que seria impossível um ter copiado do outro. Na época, os desenhos racionalistas tendiam a se aproximar das 3 formas geométricas básicas o que tornava possíveis estas coincidências. Hoje, será que esta história teria um desfecho tão veloz e pacífico como foi?
Elias de Carvalho Silveira , ilustrador e designer – FLICKR

03.

Referências me instigam à investigação, me fazem pensar. Eu procuro aprender com elas. Uma boa referência é um norte, uma orientação. Ajuda, clareia e inspira. É um dos ingredientes, por assim dizer, de um complexo processo criativo. Plágio não tem processo e não é nada criativo.
Fabiano Silva (o Silva), ilustrador – FLICKR

04.

Sobre as referências:
Referências para um ilustrador é o mesmo que conteúdo, seja ele como referência figurativa ou como referência de aprendizado. Faz parte da ferramenta de um ilustrador, assim como o papel, o lápis ou a criatividade, e a referência não vem só do Google, vem de todos meios possíveis, de livros e revistas, passando por fotos de família até filmes e videogames. Tudo pode ser referência para quem trabalha com desenho.
Referência figurativa é aquela que você usa quando precisa ilustrar algo para um trabalho e não sabe ou não tem segurança de ilustrar de memória. Por exemplo, quando um job pede uma ilustração de um esturjão macho ou de um interocitro. Ninguém tem obrigação de saber como é um esturjão macho, para isso serve a entidade Google. O papel do ilustrador, nesse caso, é o de interpretar essa referência fotográfica em algo diferente, não simplesmente desenhando por cima da foto, pois estamos precisando de informação de FORMA e não de IDÉIA. É função do ilustrador mudar a posição, perspectiva, qualquer coisa para que o desenho não fique exatamente como a foto, pois a fonte original pode e deve ter direitos autorais e patrimoniais. Como hoje em dia é muito fácil conseguir a referência mas não a fonte, todo cuidado é pouco, principalmente se seu cliente for grande, onde as questões jurídicas, que envolvem penalidades e restrições, são elevadas de forma exponencial. Sempre deve-se considerar a referência desse tipo apenas como um apoio, um suporte, não como a base principal do desenho.
Mais complicado é a referência de aprendizado. Todo ilustrador, pelo menos aqueles realmente interessados pela arte do desenho, sempre está fuçando a internet e livrarias, olhando trabalhos de ilustradores novos e veteranos. Nada estimula tanto a vontade de desenhar e criar novas soluções do que ver o trabalho de artistas que sabem fazer o que fazem com muita segurança.
Todo ilustrador tem alguma insegurança em algum momento da carreira, aquele ponto obscuro que ele acho que é deficiente e sabe que precisa aprimorar. Você aprimora através de cursos e da prática constante. Como um ilustrador que sente que não sabe solucionar muito bem expressão facial, não sabe solucionar os olhos ou a boca dos seus personagens.
Nessa hora, a prática constante leva a um ponto de círculo vicioso, onde ele só é quebrado através de uma referência externa. Quando seus olhos se iluminam quando encontra um ilustrador que desenha exatamente o que ele precisa melhorar.
Não há nada errado em COPIAR o traço, estilo ou as soluções de outro ilustrador, contanto que isso esteja DENTRO DE UM CONTEXTO DE TREINO E APRENDIZADO – em sketchbooks, cadernos de rascunhos, mas nunca em um trabalho pago. Vários ilustradores, incluindo eu, concordam que o fato de copiar um estilo junto com a autocrítica e a prática constante vai transformar esse estilo, em um primeiro momento inseguro, mas estimulado por estar no caminho certo, em seu estilo próprio. Ou seja, quando praticado constantemente, esse traço irá se transformar em outro, o seu traço. É nessa hora que esse traço, essa solução pode ver a luz do dia. E agora esse sujeito, que no começo copiava olhos e expressões faciais de outro ilustrador, tem seu estilo próprio que partiu de outro mentor. E quando ele se cansar desse tipo de desenho, ele novamente irá procurar por outra referência, outra busca criativa que lhe irá satisfazer, ao mesmo tempo que seu desenho mais maduro pode estimular outro ilustrador em começo de carreira em fazer o mesmo, completando o círculo da vida da ilustração.

Sobre o plágio:
Primeiro com diálogo em primeira pessoa, e se não funcionar, em terceira pessoa do jurídico.
Não discutirei aqui sobre o plagiador comercial, aquele que não ilustra, mas aquela lojinha ou empresa que encontra sua imagem na internet e coloca em seu produto sem pedir permissão ou pagar por algo. Para isso é que existem advogados.
A questão aqui deve ser concentrada no ilustrador ou artista que plagia conscientemente. Para este falta alguma coisa muito importante. Ou juízo ou caráter. Ou ambos.
Quando um ilustrador simplesmente nega o principal fator que faz dele ser digno de ser chamado de ilustrador – e não estou falando só do traço, mas também da idéia, essa sim a assinatura mais contundente do profissional – e troca pela imagem, pela idéia e solução de outra pessoa mais talentosa do que ele, é um carimbo na testa de mediocridade e falta de caráter. Nenhuma carreira é construída sobre uma mentira.
Porém, como o mundo não é perfeito, inclusive na questão do “aponte o dedo e enforquem o bandido”, acho que sempre devemos tomar muito cuidado antes de jogar lama e fezes no acusado, até porque certas palavras e reputações não dão marcha ré.
Criptoaminésia é uma pegadinha que o cérebro faz de vez em quando. Qualquer um, inclusive ilustradores, pode passar por isso. Quando você vê uma referência, uma ilustração, uma charge, qualquer coisa, e um dia você reproduz a mesma idéia e simplesmente esquece que a viu um dia, achando que foi você o criador. Acusá-lo de plágio é correto, mas não é justo. Ou seria justo, mas não correto? De qualquer forma, é por isso que eu disse que, não importa qual a situação, primeiro o diálogo, e se não funcionar, jurídico.
Hiro Kawahara, ilustrador – /blog.hiro.art.br

05.

Sempre busquei referências. As boas referências te ajudam a crescer, fazem parte do trabalho e acho muito importante buscá-las. Ela enriquece tua memória visual e assim, quando fores projetar, ela aparece da forma como foi traduzida por ti. É a diferença básica para uma cópia, um plágio. Num caso desse, a idéia (da tua referência) é simplesmente transplantada para o teu trabalho, tem a identidade de quem a criou. Infelizmente dentro da área gráfica, nunca vi um caso de plágio ser resolvido de forma justa, algo que eu acredito que deveria acontecer. E sem a devida punição, há quem continue praticando.
Lya Zumblick, designer – www.lyazumblick.com

06.

“Uso referências visuais em meu trabalho como ilustrador com uma certa frequência. Se são fotos garimpadas no Google, por exemlo, procuro sempre descaracterizar o material de pesquisa, seja imprimindo nele meu traço pessoal ou distorções expressivas, seja combinando-o de forma híbrida com outras referências. Busco enfim distanciar-me do original tanto quanto possível.
O uso de referências para criar desenhos pode às vezes ser um processo semelhante ao sampling na música, no qual apenas fragmentos da canção original (um riff, uma batida…) evocam de maneira distante a matriz. É uma nova música, com alguns genes daquela primeira música no seu DNA.
Plágio é diferente. É copiar integralmente ou em boa parte a obra ou a ideia de outro artista e assiná-la como sendo sua. Isso é eticamente condenável.
Os casos de plágio dos quais soube recentemente envolveram usos comerciais de trabalhos alheios. Aconteceu com uma grande rede de lojas de roupas, que estava vendendo camisetas com estampas usadas sem autorização. Naquele caso específico , a culpa me pareceu ser dos fornecedores das roupas e não da rede de lojas em si. Achei inclusive que o pedido de indenização dos artistas foi um tanto desproporcional em relação ao dano causado, inclusive moral. Para ser sincero acredito que nem tenha sido plágio, mas “uso não-autorizado da imagem”.
É importante conversar antes sempre, antes de partir para a via litigiosa. Mas se for este o caso, que seja com um advogado que compreenda as questões abordadas e não faça do caso o seu pote de ouro.
Renato Alarcão, ilustrador e designer – www.renatoalarcao.com.br

07.

A palavra referência está virando um termo maldito. Começou a ser usada a torto e a direito de qualquer maneira dentro do mercado. Na verdade, dizer que começou é um chute meu, porque eu não sei dizer há quanto tempo isso acontece, mas é como eu vejo agora. Mas claro, dá para dizer com uma certa segurança que o Google agravou a situação, se é que ela existia antes. As pessoas buscam desesperadamente por imagens antes de começar um trabalho, e nada é feito até que a pasta de referências esteja entupida. Às vezes dias são gastos com essa pesquisa, e nesse meio tempo acontece muito do designer, ilustrador ou publicitário que seja se perder em um vórtex de onde ele sofre pra sair. Ele passa do ponto da pesquisa e entra na fase do acúmulo de informações inúteis ou, pior ainda, na fase de ser tão influenciado que começa a criar cópias. Ou ainda, tão absurdamente pior que definha minha alma, copia de propósito. E o mais absurdo desse caso é que a coisa tem um efeito inverso! Uma das razões de se fazer uma pesquisa é conhecer o que já existe para evitar cópias, certo?
A maneira correta de se lidar com as referências é usá-las para construir um perfil do trabalho. Mas mesmo assim eu recebo pedidos de “seguir fielmente a referência”, que acabam significando exatamente “copie”. Então, sempre que eu vou fazer as minhas pesquisas, tomo o cuidado de parar quando percebo que a quantidade de informação está no limite.
Isso é fácil de medir pelo bom senso.
Fazer a pesquisa é ótimo e essencial, não deixe nunca de fazer! Mas por favor, cópia é uma coisa e referência é outra.
E se você receber um pedido de cópia, negue. Não faz bem para o trabalho, nem para o mercado, nem para o seu coração.
Renato Faccini, ilustrador e designer – www.estabelecimento.com.br

É isso pessoal, agora é com vocês! O espaço dos comentários está aberto para sua contribuição. Como você responderia a pergunta desse 7×1?


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Essa é pra todas aqueles que querem decidir o rumo das suas carreiras:

Qual é o lado bom e o lado ruim de ser freelancer?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Alice, Carol, Douglas, Eduardo, Juliana, Leandro e Thiago… vocês são massa!!!)

01.

O Melhor de ser freelancer é fazer o próprio horário. No meu caso, especialmente no verão, sou uma freelancer bem feliz. Escolho sempre ir a praia no período da tarde e trabalho toda a madrugada. Adoro poder escolher tirar uma segunda feira livre (ao invés de um domingo que sempre tem um gostinho estranho no final do dia) e curtir os lugares vazios só pra mim enquanto sei que todos estão trabalhando dentro de um lugar fechado!
O pior é não ter carga horária ou salário fixo. Como freelancer quando vou pra casa, o trabalho está junto comigo. Infelizmente, o telefone funciona além do horário comercial. O volume de trabalho varia a cada mês e não sei precisamente quanto vou ganhar. Freelancer precisa estar sempre correndo atrás pra garantir uma média boa de trabalho/$ por mês.
Ainda assim, morando em Floripa, a praia vale a pena!
Alice Linck, fotógrafa e designer – www.alicelinck.com.br

02.

Sou freelancer fulltime há poucos meses, mas uma das coisas que estou mais gostando no momento é a praticidade de trabalhar no formato home office. As horas que eu antigamente perdia no trânsito, dentro do carro ou do ônibus, agora são aproveitadas de formas mais produtivas, convertidas em qualidade de vida. Essa liberdade de horários também facilita bastante a programação de viagens, cursos e estudos, atividades que eu considero fundamentais.
Um ponto negativo de ser freelancer, e que estou tendo dificuldades para me adaptar, é ter que exercer muitas funções ao mesmo tempo: atendimento, prospecção, coordenação, secretária… Muitas vezes nessa confusão de papéis sobra pouco tempo para minhas funções principais, design gráfico e ilustração. Sem contar que nem sempre o freelancer é bom nessas outras tarefas, ou gosta de exercê-las.
Outro lado negativo para mim é trabalhar sozinha, não ter alguém por perto para conversar, trocar idéias, tirar dúvidas e aprender. Esta é a parte que estou achando mais desafiadora, pois sempre gostei muito de interagir com meus colegas de estúdio.
Carol Rivello, designer e ilustradora – www.carolrivello.com

03.

Na minha opinião,o melhor de se trabalhar como freelancer, é poder fazer o próprio horário e não se sujeitar ao trânsito diariamente.Ter sempre uma variedade de trabalhos e clientes ajuda a não se sentir preso e limitado por um determinado nicho de atuação,algo que acaba sempre provocando nossa evolução como artistas,uma vez que sempre temos que aprender coisas novas a cada novo desafio.A liberdade de poder sair no meio do “expediente” para assistir um filme no cinema ou praticar desenho de observação no Zoológico também é uma recompensa e tanto.
Já a pior parte é não poder contar com um décimo terceiro salário e férias como a maioria dos profissionais,e ter que administrar sua própria empresa,cuidando da parte burocrática relativa a contratos,impostos,contador e etc, algo que nenhum dos artistas que conheço aprecia e acaba tomando muito do nosso tempo.
Prospecção de novos clientes, as crises e oscilações da economia passam a ser uma preocupação sua, e não da empresa para a qual você trabalha quando se é um funcionário.
Douglas Ferreira,ilustrador e animador,37 anos – www.douglasferreira.com

04.

Sempre que me perguntam sobre como é a vida de freelancer eu começo a resposta com a palavra “instável”. Pelo menos comigo funciona assim. E nem sempre é apenas financeiramente.
Sou freelancer desde 2008. Antes eu trabalhava como diretor de arte em uma agência local e resolvi sair por dois motivos: queria ganhar mais e poder alçar voos maiores. Comecei a sentir que não evoluía mais onde estava trabalhando e resolvi arriscar na vida dos freelas.
Como qualquer outra coisa na vida, ser freelancer tem seus prós e contras, inclusive nos próprios prós têm contras e vice-versa. Não entendeu? Calma, eu explico com uns exemplos:
Não ter chefe – Isso é um pró ou um contra? Pra mim é um ponto a favor, porque assim posso lidar com todos os processos do projeto, participo de mais etapas e aprendo mais. Mas tem gente que precisa de um auxílio, de uma liderança, seja pra falar com o cliente ou até mesmo por questões disciplinares. Sem um chefe, você precisa se policiar mais, ser rigoroso com você mesmo.
Fazer seu próprio horario – Outro ponto que a disciplina torna-se indispensável. As vezes me dou ao luxo de assistir uma partida da Champions League, no sofá, tomando Coca e comendo chocolate, às 16h. Talvez fazendo isso eu precise trabalhar mais a noite, mas é uma flexibilidade que posso e gosto de ter.
Conversar diretamente com o cliente – Dependendo do cliente, pode ser legal, pode ser um grande aprendizado. Só é ruim quando o cliente não entende muito bem do que quer, não possui um briefing e aí você precisa fazer o papel de atendimento. Eu não gosto, mas sou obrigado a fazer.
Solidão – No meu caso, trabalho em casa. É gostoso, mas às vezes sinto falta de trabalhar em equipe, poder trocar ideias e conversar com as pessoas.
Fama de desempregado – Pra algumas pessoas, ser freelancer é sinônimo de desemprego. Não é, mas tem sim gente que acha você só trabalha por conta porque não consegue um emprego fixo.
Poder trabalhar de pijamas – Isso pra mim nunca foi vantagem. Confesso que, no começo, achei que pudesse trabalhar com o conforto dos meus pijamas, mas não funcionou na prática. Eu preciso tomar banho, trocar de roupa, colocar cinto e tênis, senão eu não funciono.
Pra finalizar, algumas dicas para quem quer se aventurar no mundo freelancer: seja disciplinado, cumpra seus prazos, cobre um valor justo pelo seu trabalho e seja profissional, trate seus clientes com respeito e exija o mesmo.
Eduardo Duccigne, designer de interface e diretor de arte – www.ilusorium.net

05.

Bom, acho que como toda escolha, ser freelancer também tem dois lados, um bom e outro ruim.
Começando pelo lado que considero “negativo”, acho que, na minha concepção, o que complica um pouco a vida de freelancer é a questão de receita variável, de muitas vezes não termos certeza se o projeto terá continuidade, se o cliente irá pagar como combinado – o medo do tão fadado calote. Outro aspecto que complica, mas nada que uma boa disciplina não ajude, é a questão de trabalhar em casa, de não ter ninguém cobrando e a responsabilidade com o cliente porque, nesse caso, não existe um chefe intermediário, a responsabilidade é só nossa. Ter disciplina pra ter horários de trabalho, prazos, lidar diretamente com fornecedores, pode ser um pouco complicado caso o freelancer não saiba tomar ações em várias áreas distintas além da criação. Algumas pessoas também acham que a questão de isolamento, de não ter companheiros, pode ser prejudicial pois sentem falta de trocar idéias e informações com outros profissionais (nesse caso eu sempre me mantenho conectada ao msn e troco idéias online mesmo, e ajuda bastante!).
Bom, o lado positivo, pra mim, é bem mais importante, lógico! A nossa linha de profissão – que eu prefiro classificar como “criativos” pois se encaixa para designers de todos os tipos, redatores, publicitários e por aí vai – tem, ao meu ver, um sério problema para se enquadrar ao modelo, ainda antigo, de trabalho que temos implantado no país. Muitas empresas ainda precisam da presença física da pessoa no ambiente de trabalho, o bater ponto, ter alguém sempre cobrando, ter a relação empregado-patrão muito exacerbada etc etc e etc… só que, como trabalhamos com criação, dependendo do profissional, esse tipo de ambiente é prejudicial pois certas regras não se encaixam quando se cria. Infelizmente, às vezes, não estamos inspirados naquelas exatas 8 horas de trabalho e não podemos sair, ler um livro, relaxar a mente pra que se consiga enfim, criar algo. E nesse meio tempo, existe a cobrança intermitente e ai acabamos fazendo qualquer coisa para entregar e aí surge uma certa frustração pois se sabe que poderia ter feito um trabalho bem melhor.
Relacionando isso ao fato de se trabalhar em casa, claro que existem todas essas exigências, mas nesse caso, a flexibilidade de tempo, ou seja, não preciso bater ponto as 8 da manhã e sim poder começar a trabalhar as 11 horas por exemplo, pode facilitar o processo criativo. Acho que a sensação de você ter uma liberdade maior de tempo ajuda muito no desenvolvimento das idéias. Fora que, sempre achei errado mas, enquanto você esta no trabalho formal parece que sua vida tem que parar, você não pode resolver problemas, tem sempre que inventar alguma desculpa para ir a um médico ou a um banco… e como freelancer, sabendo dividir bem as horas do dia, pode se fazer tudo isso e ainda desenvolver um bom trabalho. Afinal de contas, hoje em dia temos a tecnologia a nosso favor, que nos ajuda e muito a ganharmos tempo, ainda mais em São Paulo, onde metade da sua semana termina perdida no trânsito. Fora isso, ainda existe a possibilidade de escolher melhor os projetos, não tendo que fazer tudo que seu chefe manda! hehehehe
Resumindo um pouco essa ópera, eu acho muito mais produtivo se trabalhar como freelancer (e nesse caso pode-se trabalhar com outras colaboradores também) pois ter a sensação de domínio da sua própria vida e do seu próprio tempo, retira muitas cobranças e pesos dos ombros nos tornando assim, profissionais realmente criativos. Mas pra isso é necessário, sem sombra de dúvidas, experimentar o mercado em agências e escritórios, agregar experiência e aí sim, cada um sente o que se encaixa melhor no seu estilo de vida. Afinal, somos designers e a profissão é uma parcela da nossa vida, que deve ser ótima em todos os aspectos e não só de um lado. Saber balancear as atividades profissionais com as pessoais é fundamental para sermos ótimos “criativos” e indivíduos e nisso, para mim, a vida de freelancer é perfeita!
Juliana G. Morozowski, designer e diretora de arte – www.behance.net/jmorova

06.

Trabalhar como freelancer tem seus extremos. O objetivo maior de pegar trabalhos não vinculados a uma agência ou escritório de design é ter autonomia para se criar uma peça ou campanha, onde o contato direto com o cliente ajuda no desenvolvimento dos jobs havendo muitas vezes uma produtividade maior, além ter a certeza de que 100% do valor passado será embolsado. Mesmo assim alguns clientes “freela” são uma pedra no sapato, pois não só acham que sabem desenvolver algo como querem fechar o valor sempre depois, onde muitas vezes desvalorizam o trabalho produzido. Outra parte ruim é a falta de tempo, que faz com que o profissional que opta pelo PF (por fora) perca muitas noites de sono.
Leandro Cachoeira, diretor de arte – leandrocachoeira.wordpress.com

07.

Acredito que antes de definir prós e contras de ser freelancer, o designer tem que definir e saber em qual metodologia e estilo de rotina de trabalho que ele mais se encaixa. Sendo em primeira vista sucinto, alguém que tem um rotina mais regrada verá mais contras do que prós de se trabalhar como freelancer, e quem não possui uma rotina provavelmente verá maior facilidade de trabalhar com freelas.
Enumerando as vantagens de se trabalhar como freelancer, em primeiro lugar destacaria a maleabilidade de horário. O fato de você não ter horário fixo, faz com que você monte seu cronograma de freelas. Você pode estar numa plena terça-feira, 3 horas da tarde e caminhando no ibirapuera, porém na madrugada você pode estar dentro de uma agência virando a noite pra entregar o layout pronto na primeira hora do dia. Outra facilidade é a questão do network, conforme você vai pegando freelas e vai “pingando” em várias agências, se você tiver um projeto bom, com certeza a agência confia em você pra que sempre apareça uma oportunidade ela lembre de você, e isso faz com que você fique conhecido no mercado e no meio profissional em quem você vive, então com facilidade você vai adquirindo “renome” no mercado. E isso te dá bagagem para que num curto período, você possa abrir sua própria empresa. Isso te remete a independência total, você poder ter a sua empresa com seus clientes onde você aplica a sua metodologia. Outra vantagem que está aliado a isso é referência e experiencia. E bom para todo designer beber de várias fontes.
Como desvantagem, assim como citei acima que é uma vantagem você montar seu cronograma, e você pode numa terça-feira, estar passeando, tem seu lado ruim, que é o fato de você ficar uns finais de semana preso dentro de uma agência, e isso que eu digo não é um caso a parte, e sim uma realidade. Outro revés, é a questão financeira. O fato de você não ter uma renda fixa, faz com que você tenha uma planejamento melhor do seu capital. Pois pode ter meses que você ganhe até 5x mais do que a média q você tem por mês, porém, pode ter fases de “vacas magras”. Aí é administração financeira de saber lidar com essa situação.
Para concluir, sou muito favorável a vida de freelancer, que proporciona a pessoa um processo mais acelerado de independência. Porém acho válido em algum momento da sua carreira profissional, vc passar um período em um lugar fixo, pois existe uma possibilidade muito grande, de ficando só como freelancer é você quem decide as diretrizes do projeto, e em um lugar fixo, existe alguem superior a você, que pode agregar valor no seu projeto de criação. Como experiência pessoal atualmente eu trabalho em uma agência, e também, trabalho como freela, se for interpretar o trabalho fixo é a segurança e os trabalhos de freela é onde eu posso dar os vôos um pouco mais altos. ;)
Thiago Marti – designer gráfico e diretor de arte – www.thiagomarti.com.br

E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! Qual é o lado bom e o lado ruim de ser freelancer?

7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!


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Apesar de o tempo estar confuso e os meteorologistas não se entenderem, prever se vai chover ou não amanhã é relativamente fácil. Tem várias teorias, saleiro úmido, arco ao redor da lua, “serra longe, chuva perto”… Mas prever os 10 anos seguintes complica um pouco mais e não tem saleiro ou borra de café que adivinhe com mudanças tão bruscas. Os anos 90 foram de constantes mudanças e mais uma década se completa com tantas evoluções quanto a última. Vamos arriscar palpites pra próxima?

Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Alexandre, André, Ariel, Daniel, Elias, Felipe e Felipe Caroé vocês são massa!!!)

01.

alexandre1Vejo que o design começa a conquistar seu espaço no Brasil, se compararmos com 10 anos atrás. Para pensar nos próximos 10 anos acredito que um dos primeiros pontos que devemos observar é a previsão da população mundial, sairemos de 6 para quase 8 bilhões de habitantes.
Acredito que complexidade da inserção de produtos no mercado tende a aumentar, principalmente por políticas e exigências ambientais, e pelo impacto deste crescimento populacional no ambiente urbano.
Neste sentido, penso no designer como aquele que consegue usar sua criatividade de modo mais abrangente, aplicando seus conhecimentos estéticos para entender estratégias de produto, sistemas de produtos, e isso diretamente relacionado com políticas de inovação do Governo (e de empresas), sustentabilidade, e o desenvolvimento de novas experiências de consumo.
Alexandre Turozi, 26 anos, Designer Industrial e Diretor de Projetos da 2pra1 Design Industrial. alexandre@doispraum.com.br / www.doispraum.com.br (em breve!!)

02.

andreTenho uma certa apreensão com tudo daqui a 10 anos e, dependendo do ritmo do aquecimento global, das catástrofes ambientais e tudo que pode aparecer ainda derivado disso, como a crise da água, é muito difícil fazer qualquer previsão agora. Há 20 anos eu previ muita coisa que está acontecendo hoje, ainda garoto, tinha a mania de prever. Gostava de arriscar palpites baseado na história recente do planeta e acabei acertando algumas coisas. Mas daqui a 10 anos a previsão é menos animadora, então parei de prever (risos).
De fato, tudo dependerá do quanto o Brasil será afetado pelas variações enormes do clima no planeta. Acredito que teremos uma sobrevida maior do que a Europa ou os EUA e talvez sejamos o país mais rico do mundo, se os sucessores de Obama não resolverem invadir o Brasil por causa da água e do petróleo que não descobrimos ainda. E isso é sério!
Com todo esse panorama pendendo entre o feio e o catastrófico, sou muito otimista (mais risos). Acredito realmente no Brasil como um país que vai superar as contradições violentas de hoje, até já melhorou um pouco e terá a chance de liderar o planeta num outro tipo de revolução, que não terá armas, nem guerras, nem presos políticos. Mas isso é um outro papo…o que eu ia responder mesmo? Ah! Minha área de atuação! Ela depende diretamente de tudo que está em volta, de todo o panorama mundial e especialmente o Brasileiro. Ainda mais considerando que estou mergulhando de vez na fotografia de casamentos e, em épocas de crise, as pessoas se casam muito pouco, gastam muito menos com isso e, tendo essa noção muito clara em mente, nunca me limitei por nenhum tipo de fotografia. Gosto e realizo intensamente todos os tipos de trabalhos que me aparecem, independente de gostar mais de um ou de outro. E ainda sou músico, afinal sempre terá uma estação de metrô ou trem para colocar o chapéu e tocar o dia todo esperando a sensibilidade das pessoas (risos triplicados).
Concluindo: se as condições climáticas nos permitirem, acredito que meu campo de atuação estará crescendo muito em geral, mas para o lado artístico isso ficará mais claro. Será cada vez mais dependente da tecnologia de computadores etc., mas cada vez mais desafiador para que se faça alguma coisa realmente diferente no mercado. A multiplicidade das formas artísticas e a fusão total de culturas no planeta vai influenciar de vez qualquer tipo de fotografia. Não haverá mais espaço para o fotógrafo registrador, aquele que clica o que vê. Será preciso ver algo que ninguém vê e congelar aquilo que ninguém viu mesmo olhando, de quebra convencendo a todos disso, verdade ou não (afinal a fotografia nunca se pretendeu verdade, nem mesmo no jornalismo). E é nisso que eu acredito. Adoro desafios!
André Pinnola, fotógrafo 24hs, músico de vez em quando, tentando ser para o outro mais do que para si mesmo, vivendo com um pé no Rio de Janeiro e outro em Santa Catarina. www.andrepinnola.com.br

03.

ariel1É difícil prever o que vai acontecer em 10 anos, ainda mais com as coisas mudando cada vez mais rápido, mas pelo que eu vejo, a comunicação, principalmente a publicidade tende cada vez mais a se transformar em entretenimento como cinema e produção audiovisual em geral, o que abre várias possibilidades para ilustradores, desde coisas obvias como animação, design de personagens, até trabalhos que as pessoas não veem diretamente como concept arte, story boards, etc. Isso se o mundo não acabar em 2012 é claro…:-)
Ariel Fajtlowicz, ilustrador e designer, 28 anos de idade e 12 de profissão.www.gloome.net

04.

danielO volume crescente de informação dispersa e inclassificável torna a comunicação um trabalho intenso de tornar fácil o acesso àquilo que é realmente importante para contextos cada vez mais exclusivos. Daqui a dez anos talvez estejamos de fato adaptados ao fato de que ninguém diz nada para quem não quer ouvir e que comunicação só acontece quando todo mundo tem a oportunidade de falar. Vai ser difícil, mas acredito que vamos aprender a não tentar classificar tanto as coisas e entender que na verdade os limites são regiões acinzentadas entre o preto e o branco. Acredito que fazer bom design e fazer boa comunicação continuarão a ser tarefas de pessoas que saibam gerenciar critérios e não seguir regras, pessoas que mais do que ter conhecimento saibam como utilizá-lo para melhorar as coisas.
Daniel Maciel, 23 carnavais, publicitário, instrutor do curso técnico em Design Gráfico do CECOTEG em BH/MG, faz umas letras e é uns trabalho como freela no tempo que sobra. @dmaciel

05.

eliasHá alguns anos atrás tive um certo receio de que as coisas tomariam um rumo não muito favorável, comecei a perder trabalhos por não me aperfeiçoar em modelagem 3D. Pensei, daqui pra frente quem não dominar esta tecnologia, por mais técnicas que domine estará fadado ao esquecimento. Totalmente equivocado.
Hoje enxergo assim: Vemos muitos trabalhos que são uma salada de filtros e copy/paste e ruídos usados inadvertidamente, sem propósitos, carentes de um conceito, sendo considerados boas ilustrações. Entendo que, sobreviverá neste oceano revolto o ilustrador que, antes de manejar o motor do barco, souber deslocá-lo pelos meios tradicionais, ou seja, remando. Já tive situações (acredito que todo ilustrador já tenha passado por isso) em que o computador não me trouxe o resultado esperado, ou mesmo, me deixou na mão. Voltei à prancheta e consegui resultado tão bom, ou até melhor que o obtido com a máquina. Um ilustrador que começou a atuar primeiramente aprendendo a usar softwares e hardwares, sem conhecer as técnicas tradicionais, sem conhecer História da Arte, e Cultura em geral, não sei qual será o seu futuro nesta área.
A vantagem na ilustração é que, independente da técnica, que pode ser uma simples folha de papel e técnicas tradicionais, ou os muitos recursos que temos hoje na ilustração digital e os que ainda virão, sempre terá um motivo que a faça existir, levando-se em consideração as várias áreas de atuação do ilustrador (cinema, tv, games, storyboards, criação de personagens, apresentação de filmes, vinhetas, quadrinhos, anúncios publicitários, entre tantos outros). E, como disse o mestre Benício: “Sempre haverá uma idéia a ser transformada em imagem que a realidade não consiga transmitir.”
Elias de Carvalho Silveira é ilustrador e designer de Bauru, São Paulo. http://eliassilveira.blog.uol.com.br | http://www.flickr.com/photos/elias_ilustracao_design | http://eliassilveira.sites.uol.com.br

06.

felipearcoverdeComparando com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentram as principais faculdades, eventos e empresas da área, atualmente a atuação do design na Bahia está engatinhando. Com alguns escritórios de design e pouca oferta de trabalho, a maioria dos profissionais que se forma dentro do estado vai para outros centros a procura de melhores empregos e estabilidade financeira e os que aqui ficam, atuam em agências de publicidade ou como autônomos.
Acredito que daqui há 10 anos nossa área esteja consolidada e fortalecida. Um número maior de profissionais responsáveis e comprometidos na realização de um bom trabalho farão um mercado cada vez melhor por meio de sua atuação, objetivando visibilidade às produções acadêmicas e divulgando o papel do design para a sociedade, permitindo o desenvolvimento de projetos que sejam úteis para sociedade e não só para fins comerciais.
Felipe Arcoverde é designer gráfico formado pelo Centro Universitário Jorge Amado – Unijorge e sócio-diretor do escritório de design gráfico Person Design. www.persondesign.com.br

07.

felipe-caroeA comunicação estratégica na internet tem uma tendência para evoluir rápido, né? Quer dizer, há três anos ninguém pensava em mashups, microblogging, realidade aumentada.
Hoje, isso é expertise padrão para agências de marketing digital. Uma coisa que todo profissional da web já sabe – ou deveria saber – é que a evolução tecnológica não tem muito mais pra onde correr. O aprimoramento agora é conceitual; web 2.0, twitter, aplicativos do orkut, facebook… A inovação vem sendo mais de perspectiva que técnica.
Os designers terão que se dedicar, então, mais à eficiência da transmissão do que à forma da mensagem. Se em três anos tivemos uma brutal mudança no modo de fazer comunicação, em dez anos acredito ser essencial trabalhar a objetividade e o destaque do conceito transmitido. Isso vai tornar a profissão mais atuante e requisitada.
Felipe Caroé tem 23 anos e é designer. Trabalha com branding e estratégia para a web. Tá achando que trabalha pouco, aí decidiu participar de um coletivo de design, o coletivo NEGOBOM. felipecaroe.com | coletivonegobom.com

E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos? Dê uma de mãe Dinah e fale-nos do futuro! A equipe massa também brinca, e sempre deixa suas respostas ali nos comentários =)

7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!


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Não é preciso ir muito longe pra ver que a maioria dos alunos de curso superior entra na faculdade porque “precisa”, ou até mesmo porque curte a área. Mas depois a coisa desanda. É como a crise dos sete anos no casamento, só que geralmente vem lá pelo sétimo mês… Como a universidade é um terreno de dúvidas para quem está pisando nele pela primeira vez, o Massa trás a fala de quem já passou por esse campo minado, saiu ileso e com muita coisa boa pra compartilhar.

O que você aprendeu na faculdade e carrega na sua vida profissional?

Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigada Bruno, Germaá, Guilherme, Lya, Marina, Paulo e Rafael… vocês são massa!!!)

01.

brunoEu poderia dizer que tudo o que aprendi na faculdade trago pra vida profissional. Mas talvez eu estivesse mentindo, porque hoje em dia eu não faço resenhas críticas e coisas do tipo. A verdade é que tudo o que se aprende na faculdade (e fora dela também) é a base para qualquer coisa que você for fazer profissionalmente. Isso vale também pra áreas como a minha, que legalmente não exigem diploma, mas que na prática exigem (a não ser que você seja um Washington Olivetto ou Nizan Guanaes). Claro que tem coisas que você aprende na faculdade e que quando encara o mercado de trabalho vê que já estão ultrapassadas. É, publicidade tem dessas coisas. Como dizia o Lulu Santos: tudo muda o tempo todo no mundo. Novas mídias, redes sociais e etc. Por isso além do estudo acadêmico é importante estar sempre ligado em tudo que tá acontecendo por aí através de livros, internet, gibi, bula de remédio, encarte do mercadinho da esquina. Quem trabalha com publicidade, principalmente com criação não pode se dar ao luxo de desperdiçar nenhum tipo de conhecimento, nem mesmo a formatação de artigos técnicos segundo as normas da ABNT. Tá bom, não vamos exagerar.
Bruno Aydos é gremista, redator publicitário e atualmente trabalha na agência Propague, de Florianópolis. www.twitter.com/bruno_aydos

02.

germaaAcho que, em primeiro lugar, a faculdade é um lugar fundamental para além do aprendizado teórico, termos contato com o mercado. É lá que provavelmente vamos conhecer as pessoas que nos vão dar a primeira oportunidade de entrar no meio e perceber o quanto fazer networking é importante para o desenvolvimento de qualquer carreira.
Uma das coisas que também trago comigo, é a oportunidade de conseguirmos ampliar os nossos horizontes e ver que, mesmo fazendo publicidade, temos inúmeras possibilidades além da criação ou mídia. Por possuirmos uma ampla visão do processo corporativo, estamos habilitados a trabalhar em todas as áreas das agências, departamento de marketing das empresas, administração e tudo mais que envolva comunicação interna e externa. Percebemos logo que tudo em uma empresa está interligado, desde a contabilidade, aquisição de ações, percepção da marca pelo consumidor até o processo de compra. A comunicação passa por todas as áreas, sendo vital para a sobrevivência da empresa.
Aprendi também a dar atenção aos detalhes, que no final das contas faz toda a diferença. Isso foi aperfeiçoado no meu percurso profissional, mas o início deu-se lá.
Germaá Oliveira é diretor de arte da TV Record Internacional. www.germaa.com

03.

guilhermePesquisar por referências foi uma das coisas de maior significância que trago da faculdade. Ao iniciar qualquer projeto (no meu caso, gráfico) uma pesquisa se faz extremamente necessária. Pratiquei isso em todos os trabalhos da faculdade, desde pintura, escultura e cerâmica, até comunicação visual, e trago isso no dia-a-dia do meu trabalho.
É buscando essas referências que muitas vezes se consegue solucionar algo, e muitas vezes a solução está de baixo de nosso nariz, nas coisas mais simples que se pode imaginar. Muita gente deve estar careca de saber isso, mas não é algo muito fácil de praticar, exige tempo e dedicação. Mas na medida do possível tudo se consegue.
Por isso, tenho como prática pesquisar qualquer coisa em qualquer lugar, em livros, revistas, na rua, em conversas, em exposições e bienais, em fotografias e internet, que, por sinal, é uma ótima ferramenta para isso, é de fácil acesso e com uma infinidade de coisas, é só perguntar para alguém, que todos terão dicas para dar, podem ter certeza!
Pesquisem!
Guilherme Pereira de Souza é bacharel em Artes Visuais, atua como Designer Gráfico e nas horas vagas se dedica aos seus cadernos. www.flickr.com/photos/guilhermesouza

04.

lyaAcredito que a principal lição da faculdade de Design que carrego comigo é a responsabilidade que tenho sobre um projeto. A faculdade é o lugar onde a gente pode errar pouco, errar muito, experimentar e não sofrer conseqüências sérias por isso, além de poder justamente aprender com estes erros. Mas é a chance que o aluno tem também de levar a sério, crescer, dedicar-se, colher e analisar os resultados. Chega um dia que de professor e aluno, tu viras um profissional com clientes, um designer de uma empresa e eles esperam de ti atitudes, decisões e resultados tão profissionais quanto.
Lya Zumblick é formada em design, trabalha em uma editora pra poder comprar sapatos. www.lyazumblick.com

05.

marinaEu levo comigo muito mais do que eu imaginava quando eu saí da faculdade. Nós tendemos a achar que muitas daquelas aulas entediantes e muitos dos exercícios de geometria descritiva serão apenas parte do conhecimento inútil acumulado durante a vida acadêmica, mas isso não é bem verdade. Pelo menos para mim não foi. A experiência de uma graduação pode ser muito mais enriquecedora do que se imagina para quem sabe fazer bom uso dela.
Como desenhar a faca para um rótulo de sorvete sem saber geometria plana? Como preparar uma arte final para flexografia sem saber produção gráfica? Aprendi que a apresentação de um projeto é um projeto dentro do projeto. Por mais que ao longo do tempo você desenvolva a sua própria metodologia de trabalho é na faculdade que você aprende o que é metodologia. A faculdade foi onde eu pude errar, tentar novamente e acertar. Não importa se o curso é o mais conceituado do mundo, importa que ele te apresenta todos os caminhos que podemos seguir, e fazer esta escolha dar certo depende de cada um.
Eu posso dizer que a faculdade foi uma etapa essencial para mim, pois acima de tudo neste momento da vida e neste ambiente que eu encontrei as coisas que eu gostava e descobri as coisas que eu nem sabia que gostava.
Marina Cascaes é designer gráfica formada pela UDESC e atualmente trabalha com projeto de embalagens na O3Design. www.o3design.com.br

06.

paulo“Para quê isso vai me servir?” Essa é uma frase bastante comum de se ouvir no meio acadêmico, já que em um ambiente universitário o programa de ensino tem que englobar variados campos de aplicação relacionados a um só assunto, que é o curso que se você escolheu para se formar e ter o tão esperado diploma de curso superior. Eu vejo a faculdade, pelo menos na minha área, que é artes visuais, como mais “funil” que temos que passar, como a própria escola de ensino médio. Onde você vai ter contato com muita coisa nova e daí poder escolher o que mais você tem afinidade. Mas, de uma forma geral o processo como um todo de aprendizagem é importante para exercitar os olhos e a mente. O conceito e a busca do “belo” passam a ser mais criteriosos e nossa cabeça se abre para novas propostas.
E hoje, apesar de eu ter me formado em desenho industrial, curso que não prepara ninguém a ser um ilustrador, atuo profissionalmente somente como ilustrador, que sempre foi o meu grande prazer nos projetos de design que me envolvi. Sempre agregava ao meu trabalho de design as minhas ilustrações.
Com o tempo percebi que eu tinha pouco tempo para ilustrar e trabalhar os projetos gráficos. Enfim, parei de fazer o “design” e me dedicar só a ilustração. Mas é inegável que o contato com vários tipos de mídia e entender os veículos de comunicação, os processos gráficos e de criação em geral, seja vídeo, animação, impresso ou web ajuda bastante a se obter um bom resultado na ilustração final.
Paulo Visgueiro, 29 anos, carioca. Em 2004 formou-se no curso de Desenho Industrial no Centro Universitário da Cidade – RJ. Atualmente é gerente de Ilustração/Concept Art da Seagulls Fly. www.visgueiro.com

07.

rafaelPor ter formação técnica fui para faculdade buscando conceito, embasamento, pesquisa. E foi o que encontrei (em uma escala bem menor que eu esperava, mas encontrei), e é o que eu trago comigo até hoje. Mas, para mim especificamente, algumas das coisas mais importantes foram o que aprendi pelo convívio com profissionais, professores e amigos dentro do ambiente de uma faculdade, aquelas coisas que só entendemos o valor depois de sair de lá, isso não tem matéria que ensine.
Foi da faculdade que veio a minha maior inspiração para o trabalho de professor, minha principal atividade atualmente. Quando nem pensava em dar aulas, via um professor em particular cativando a todos, dando aula com paixão, mostrando domínio do assunto e fazendo com que todo mundo entendesse a matéria que comecei a pensar: “quando crescer quero ser assim também”… Foi uma das coisas que me inspirou a correr atrás e estudar ainda mais pra chegar lá, o que, de certa forma, volta ao que eu falei lá no começo: pesquisa, embasamento, conceito…
Então não adianta, seja na sala de aula, na biblioteca ou pelo simples fato de estar convivendo com pessoas do meio profissional em uma faculdade a gente sempre aprende muita coisa. Eu aprendi a ser um bom profissional e de lambuja ótimas inspirações de como ser um bom professor.
Rafael Hoffmann Maurilio, 26, publicitário (de formação…), professor dos cursos técnicos de Design e Comunicação Visual da SATC.

E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! O que você aprendeu na faculdade e carrega na sua vida profissional? Volte nos tempos da faculdade e conte pra gente sua história… A equipe massa também brinca, e sempre deixa suas respostas ali nos comentários =)

7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!


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