Com a popularização do rock’n’roll em meados da década de 1960 os pôsteres de divulgação dos shows começaram a ganhar espaço não só nos muros, mas também em paredes e galerias de arte. Nesse período não só o rock, mas também a sociedade como um todo, passariam por intensas mudanças que afetariam não só a música e a pessoas, mas também o design. Os shows de rock psicodélico, característicos do final dos anos 1960, inspirariam um estilo de design particularmente provocador.

A simplicidade dos primeiros pôsteres de shows de rock. The Elvis Presley Show, Hatch Show Print, 1956.
O mundo na década de 1960
A geração que chegou a vida adulta em meados da década de 1960 cresceu em uma rotina de privações e violência, resquícios da II Guerra Mundial e da eterna tensão da Guerra Fria. Como resposta a esses sentimentos começaram a tomar volume os protestos em favor dos direitos civis, contra a Guerra do Vietnã e avançaram dos movimentos de liberação das mulheres.
Esses movimentos surgiram como reflexo da sensação de desencanto da juventude da classe média americana quanto as alternativas políticas tradicionais, independentes de serem o liberalismo de mercado dos EUA ou o socialismo da URSS e também da insatisfação com os valores morais extremamente conservadores.
É dentro desse contexto de repulsa e ironia contra a “american way of life” que começa a se desenvolver uma cultura própria da juventude, expressa principalmente pela música, que começava a ter um papel importante de integração de pequenos grupos.
Um dos primeiros movimentos dessa nova forma de expressão foi chamado de contracultura. Os beatniks, como eram conhecidos os participantes do movimento, desafiavam a “velha ordem” escrevendo poesia, ouvindo jazz e música folk e “expandindo a consciência” através de drogas psicoativas. Foram os beatniks que começaram a chamar os parceiros da contracultura dos anos de 1960 de “hip”, uma gíria americana que significa “bacana, antenado”, daí viria o termo “hippie” que denominaria um dos movimentos de contracultura mais conhecidos até hoje.
O design na década de 1960
O design na década de 1960, sobretudo na Europa, era caracterizado por um cultivo à ordem e ao racionalismo, ainda reflexos da Bauhaus. Clareza e ordem eram as palavras-chaves, expressão pessoal e soluções excêntricas eram rejeitas durante esse período que ficou conhecido como alto modernismo, ou o Estilo Internacional.
A reação, intuitiva, da nova geração de designers aos excessos racionalistas foi uma maneira mais imaginativa, mais lúdica de tratar a forma, que viria a ser conhecida como pós-modernismo. Se antes a forma seguia a função, agora a forma seguia a fantasia. A geometria passa a ser usada de forma mais livre e descontraída, pouco ou completamente despreocupada com a clareza e a legibilidade.
Todas as cores irreverentes, formas lúdicas e subjetivas do pós-modernismo iriam se encaixar perfeitamente com a necessidade de expressão gráfica da contracultura, mas principalmente do movimento hippie e sua estética. Design assume seu papel de tradutor da sociedade na qual está inserido e começa a ter um papel bastante significativo, pois coube ao artista gráfico materializar visualmente o pensamento dessa geração.

A explosão de cores e formas que viria com o movimento psicodélico. Quicksilver Messenger Service, Victor Moscoso, 1967.
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Rafael Hoffmann Maurilio – 28 anos, publicitário de formação, professor no curso de técnico em Comunicação Visual da EDUTEC e no curso de graduação em Design Gráfico da Faculdade SATC.
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Artigo Massa é um post esporádico onde convidados têm espaço para publicar um artigo, sobre qualquer tema, que tenha a ver com o jeitinho Massa Cultural de ser. O objetivo é mostrar o quanto tem gente com conteúdo massa por aí. E claro, criar uma bela discusão e troca de ideias com os Leitores Massa.














6 comments so far
Post muito bom, parabéns.
fevereiro 10th, 2011Adoro os artigos, muito massa!
fevereiro 10th, 2011Gostei principalmente deste artigo. Tirando pelo que estamos vendo por aí nessa semana de “logomarca”, designers de verdade precisam no mínimo entender um pouco de história. A história do design e dos seus clientes.
fevereiro 10th, 2011Trackbacks
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