Um dos assuntos que mais se houve falar na atualidade é o que diz respeito às questões da sustentabilidade. Dia após dia ficamos sabendo que algum desastre natural, de algum desmatamento ou de alguma conseqüência que a natureza sofre por causa da exploração exacerbada de seus recursos. Nos últimos anos, as denúncias, os movimentos e iniciativas a favor do meio-ambiente se tornaram cada vez mais constantes. As pessoas passaram a sensibilizar pelo ambiental e passaram a incorporar e/ou apoiar algumas práticas que se intitulam “Sustentáveis”. Mas será que todas as tentativas podem realmente ser consideradas sustentáveis? Ou ainda, será que nós sabemos diferenciar o que realmente pode ser considerado sustentável do que não pode?
Comparações interessantes, estabelecidas por Vezzoli (2009), fazem com que façamos uma reflexão sobre o que realmente consideramos produtos sustentáveis. Na tentativa de responder a questão “o que sabemos e pretendemos sobre o design para a sustentabilidade hoje?”, o referido autor compara alguns produtos para exemplificar quais deles podem ser certificados como ambientalmente corretos.
online pharmacy without a prescription class=”size-full wp-image-4992 alignleft” title=”cadeira01″ src=”http://www.massacultural.com/wp-content/uploads/2010/04/cadeira01.jpg” alt=” Cadeira de papelão: baixo impacto ambiental?” width=”301″ height=”350″ />
Cadeira de papelão: baixo impacto ambiental?
Se olharmos para uma cadeira de papelão, construída com sobras de papelão, desenhada para a montagem através de encaixe (isso quer dizer que não haverá a utilização de cola ou qualquer material colante), que comprovadamente suporta um peso de cerca de duzentos quilos (ou seja, a maioria das pessoas): podemos imaginar que se trata de um projeto com baixo impacto ambiental.
Cadeira Savonarola: sem nenhuma preocupação ambiental, mas…
Quando comparamos esse produto, que nos parece ambientalmente considerável, com a cadeira Savonarola, também conhecida como cadeira tesoura, nossa percepção sobre o que é sustentabilidade aumenta. Essa cadeira, de noz-madeira, foi projetada no renascimento (ou seja, possui cerca de 500 anos de existência) e permanece intacta até os dias de atuais. A cadeira renascentista cialis sublingual foi desenhada, aparentemente, sem nenhuma preocupação ambiental, já que na época essa não era preocupação vigente.
Mesmo assim, ao fazermos uma análise através do tempo dos dois projetos poderemos então ter uma noção de qual dos dois impacta menos o ambiente, como mostra o gráfico:
Desse modo, ao longo do tempo, fica claro que enquanto uma cadeira Savonarola mantém sua expectativa de vida, diversas cadeiras de papelão poderão ser produzidas, utilizadas e descartadas. Isso quer dizer que a cadeira de papelão, que parecia ser uma alternativa de projeto com preocupações ambientais, se torna mais impactante do que uma cadeira durável (como a cadeira Savonarola) com o passar dos anos.
Cadeira Aeron (Herman Miller): projetada hoje com preocupação ambiental.
Um exemplo de cadeira projetada hoje com a preocupação correta com o ambiente é o da Aeron, desenhada pelos designers Bill Stumpf e Don Chadwick, da empresa multinacional Herman Miller. Com assento de aço e plástico ela possui 12 anos de garantia, mesmo em uso de comodato. Além disso, a Aeron foi projetada para facilitar a desmontagem e a reutilização de peças, duas características importantes do design para a sustentabilidade.
Por isso, na próxima vez que nos depararmos com um produto que prometa ser “sustentável” façamos uma reflexão para saber se essa promessa procede. Essa pode ser uma pequena contribuição para o planeta.
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Referência
VEZZOLI, Carlo. Innovative design learning communities: new horizons for sustainability LeNS a multi-polar, interconnected and regenerative open learning platform. In: Proceedings International Symposium on Sustainable Design. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. Disponível em: http://portal.anhembi.br/sbds/anais/ISSD2009-P-30.pdf
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Marco Ogê Muniz é Mestre em Design pelo Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica (PósDesign) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), linha de pesquisa Gestão Estratégica do Design Gráfico. Professor coordenador do curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico e professor do curso de Design de Moda da Faculdade Metropolitana de Rio do Sul – Famesul/Grupo Uniasselvi . Pesquisador voluntário do Núcleo de Abordagem Sitêmica do Design (NAS DESIGN) da UFSC, Embaixador do projeto Looking for Likely Alternatives – LOLA, pesquisador do Grupo de Pesquisa Desis-Brasil (Design de Serviços e Inovação Social) – ligado ao Desis (Design for Social Innovation and Sustainability) – e membro do Instituto de Referência em Pesquisa Ambiental Caapuã (Instituto Caapuã), coordenador de ecodesign.
Para saber mais sobre o autor visite seu blog: http://abordagemsistemicadodesign.blogspot.com/
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Artigo Massa é um post esporádico onde convidados têm espaço para publicar um artigo, sobre qualquer tema, que tenha a ver com o jeitinho Massa Cultural de ser. O objetivo é mostrar o quanto tem gente com conteúdo massa por aí. E claro, criar uma bela discusão e troca de ideias com os Leitores Massa.

















7 comments so far
grande carlo vezzoli. eu estava presente nesse simpósio e pude ver a apresentação dele. de fato, um saber incrível! (tive até a chance de comer pizza com ele ahahah)
enfim.
quanto as cadeiras de papelão X a savonarola:
pelo que entendo, as cadeiras de papelão são de baixo custo e fácil montagem, e pode ser 100% recicladas, certo?
além disso, por terem uma vida útil menor, podem acompanhar as vontades e necessidades dos consumidores (podemos citar o design visceral).
A cadeira savonarola de fato dura MUITO tempo, porém, quantas são as pessoas que querem ter uma cadeira deste tipo no escritório?
ou seja: vai acabar virando um objeto de design reflexivo. apenas decorativo.
claro que entendo o que queres dizer, mas acho que essa observação é coerente.
no mais, parabéns pelo artigo. excelente temática
abril 13th, 2010Olá Caio Prea, obrigado pelo comentário. Eu também estive no ISSD, também assisti palestra do Vezzoli e também comi pizza com ele…ahahaha….Talvez a gente tenha se visto por lá.
abril 13th, 2010Quanto a sua reflexão, está perfeita. Minha intensão não é dizer qual produto é “mais” sustentável ou qual é “menos”. Minha intensão é dizer que esta é uma questão complexa que necessita de uma reflexão mais ampla. Partindo desse ponto de vista poderemos chegar a conclusão de que a sustentabilidade não pode ser pontual, ela deve ser abrengente.
Esse artigo é importante, principalmente, para que todos prestem atenção sobre a importância do desenvolvimento sustentável. Parabéns pelo artigo (muito bem escrito e criativo), Marco.
abril 13th, 2010Olha, eu concordo em parte com o Caio. Mas gostaria de fazer a seguinte questão: e se o papelão não estivesse sendo produzido diretamente para as cadeiras? Se esta fosse só uma forma de reutilizá-lo? Neste caso, creio que o impacto seria mínimo!
O texto faz a comparação entre diversas cadeiras de papelão e uma Savonarola, mas pressupondo que este papelão foi todo reutilizado, o impacto desaparece e desaparece também a preocupação com a quantidade delas que seriam necessárias para durar tanto tempo quanto a de madeira.
abril 15th, 2010Olá Secomedia, abrigado pelo comentário. As cadeiras de papelão possuem uma vida útil muito curta. Após esse período de vida útil este papelão se tornaria regeito. Essa sobra poderia servir para reciclagem, mas não deixaria de ser mais produção de matéria.
abril 15th, 2010Esse artigo é importante, principalmente, para que todos prestem atenção sobre a importância do desenvolvimento sustentável. Parabéns pelo artigo (muito bem escrito e criativo), Marco.
abril 18th, 2010Olha, eu concordo em parte com o Caio. Mas gostaria de fazer a seguinte questão: e se o papelão não estivesse sendo produzido diretamente para as cadeiras? Se esta fosse só uma forma de reutilizá-lo? Neste caso, creio que o impacto seria mínimo!
O texto faz a comparação entre diversas cadeiras de papelão e uma Savonarola, mas pressupondo que este papelão foi todo reutilizado, o impacto desaparece e desaparece também a preocupação com a quantidade delas que seriam necessárias para durar tanto tempo quanto a de madeira.
abril 18th, 2010Add a comment