Escrito por Thaís Guedes*
Falar de Tropicalismo é com certeza resgatar nos anos 60 um dos momentos mais importantes para a cultura e literatura brasileira: é resgatar o modernismo heróico de Oswald e Mário de Andrade e os preceitos tão ansiados e conseguidos na Semana de 22. O Tropicalismo é, assim, um caleidoscópio humano, uma máquina do olhar que desvenda e ao mesmo tempo, analisa e valoriza o que a brasilidade tem de melhor. Esse olhar não pára, não cessa e, em plena ditadura, momento em que o cidadão brasileiro busca um sentido e uma identidade para sua nação, ela se senta na mesma mesa que os opressores e compartilha com eles o tão famoso cálice proclamado por Chico Buarque.
Assim, a Tropicália buscava uma nova estética na cena cultural brasileira e também uma interlocução com a massa. Essa ideia vai ao encontro do dadaísmo de Marcel Duchamp, do início do século XX, que critica a aura do objeto único dentro de um contexto industrial e seus ready-mades.
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Capa 1: CAETANO VELOSO, 1968 – Pode-se dizer Buy Ampicillin Online que nesta capa há a materialização das imagens tropicalistas com os conceitos estéticos do movimento.
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A sociedade de 1960 era presa em valores morais e arcaicos, e é nesse contexto que a juventude, principalmente da classe média, vê no tropicalismo reflexo de suas tendências comportamentais de revolta. A arte originando-se da necessidade coletiva.
O movimento recupera a estética das capas de discos, esse invólucro das músicas contidas, veiculando ideias por meio da justaposição de palavras e imagens registrando graficamente questões comportamentais ou estéticas do movimento social.
As imagens criadas rompem cânones e regras funcionalistas, atingindo a função de transmitir valores simbólicos a determinado produto, criar mitos e fetichizar objetos.
O designer Rogério Duarte reorganiza e cria novo sentido trazendo nas capas de LPs, um objeto industrial, uma linguagem própria do tropicalismo e questões da pós-modernidade, onde letra, música e imagem multiplicam os significados, ou como o ele mesmo gostava de dizer na época: “foi um modo de ser da produção brasileira, é um sotaque nosso, brasileiro de fazer as coisas”, o caráter antropofágico que é visto até hoje.
A complexidade do design gráfico possibilitou cialis online buy ter música, artes plásticas, poesia numa capa de disco organizando uma rede de ideias.
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Capa 2: GILBERTO GIL, 1969 – Este invólucro contém imagens e palavras construídas como poesia concreta no qual texto e desenho dão forma a uma imagem na qual a poesia visual empregada dá a possibilidades de muitas leituras.
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*Thaís Guedes tem 29 anos e é mais tropicalista do que imagina. É formada em Desenho Industrial e Especialista em Fundamentos da Cultura e das Artes. Atualmente é diretora de arte na Trip Editora e Propaganda.
Blog: Caleidoscópio Antropofágico
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