Esse Artigo Massa nasceu da empolgação do Alexandre em responder o último 7×1. Ele respondeu pro Massa assim: “Acho que precisa resumir né? Mas eu me empolguei e acabei escrevendo um artigo, dá uma olhada…”. A gente leu, olhou e achou justo publicar a resposta resumida no 7×1 e também a resposta completa. Então, aproveitem!

Antes de falar de 10 anos para frente sempre é bom olhar 10 anos para trás, para avaliar as tendências. Então como era a atuação do design de produtos há 10 anos? Como estava a economia brasileira e do mundo? Calma, não vou fazer uma retrospectiva, mas só para se ter idéia o PBD – Programa Brasileiro de Design – foi criado em novembro de 1995 (ADG em 1989, Objeto Brasil em 1996, ADP em 2002, DEBrazil em 2003 e a SCDesign em 2004). Ou seja, o Brasil é jovem no design. Mas isso não é um ponto negativo.
Hoje o design começa a conquistar seu espaço no Brasil. Desde 2003 a DEBrazil auxilia projetos de design brasileiros a ganhar repercussão internacional no IF Design Awards (Europa). Do mesmo modo a Objeto Brasil desde 2008, com o Prêmio IDEA (Estadunidense). Ainda poderia citar diversos outros prêmios nacionais como ABIPLAST, Alcoa, MovelSul, Museu da Casa Brasileira, dentre outros.
No mesmo sentido existe um suporte que começa a ser oferecido por instituições como SEBRAE; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior; CNPQ… o que posiciona o design no Brasil em uma situação bem distinta da observada 10 anos atrás.
O número de cursos de design em Santa Catarina saiu de 12 em 1999 para 61 em 2009, aumentando a abrangência de 3 para 20 cidades no Estado. Para se ter idéia, hoje existem 498 cursos de design no Brasil cadastrados no MEC. [1] Mesmo desconhecendo que haja atualmente demanda para tantos profissionais formados por ano é preciso entender o impacto disso nos próximos anos. Tanto na esfera positiva quanto na negativa…
Em 1997, por exemplo, o PBD lançava o manual de Design Estratégico e o 1º concurso de Ecodesign no Brasil [2]. Mesmo estes temas já tendo sido trabalhados anteriormente, nos últimos cinco anos passaram a ter maior notoriedade. Na década de 50 foi a questão ergonômica, na década de 80 a forma deixou de seguir a função para seguir a diversão, atualmente vivemos a crise da sustentabilidade. E em 2020, qual será o novo desafio do design? Algumas Macro-tendências podem ser utilizadas como inspiração: Sustentabilidade, Bons Valores; Personalização; Aproveitar tempo livre; Minorias (acessibilidade para idosos, deficientes físicos); Consumo Ético… Existem também cenários mais pessimistas, mas todos eles já começam a se tornar mais claros para os próximos anos.
Hoje temos conhecimento de novos segmentos/metodologias de design: Design Thinking, Service Design… que começam a ser testados por escritórios maiores como IDEO. São abordagens mais intelectuais de solução de problemas, que nem sempre resultam em um produto, mas em uma solução mais inteligente para aquele problema.
Feito este breve panorama, então, como será nossa atuação como designers de produto daqui a 10 anos?
Para iniciar este pensamento, dando a ele apenas um exemplo mais focado considere o cenário atual, no qual muitas empresas que buscam passar a imagem de responsabilidade ambiental por meio de seus produtos que não mudaram de fato. O que era um produto agora é um ECOproduto. E o que continua sendo vendido não deixa de ser mais um produto…
Se pensarmos em padrões de consumo, pouco muda, pois o que se consome é produto, existe a sedução pelo Eco (“comprando o eco já fiz minha parte”), mas ainda são raras as empresas que conseguem adotar políticas do PSS ( Product Service System) [3] ou outras campanhas que visam o consumo mais sustentável, colocando o consumidor como cidadão ativo do processo e do ciclo de vida do produto, motivando novas experiências de relação com o consumo. Isso não é um problema que envolve apenas o empresário, que muitas vezes tem a disposição de inovar, mas acaba barrado por legislações nacionais e internacionais que nem sempre colaboram com propostas mais ousadas.
Eis um desafio para os próximos 10 anos: como tornar o consumidor parte do processo do ciclo de vida do produto tornando-o pró-ativo nas questões ambientais? E, além disso, como estas medidas farão os lucros das empresas aumentarem?
Falando nessa questão empresário x designer e buscando adequar isso ao tema em questão, acredito cada vez mais no posicionamento do Peter L. Phillips [4] quando fala que muitas vezes o designer se coloca como: “ah mas meu cliente não gosta disso”, “meu cliente não entende isso” … para Phillips, o designer deve considerar o projeto como uma colaboração entre as partes, entendendo o cliente como um parceiro e não apenas como cliente. Aposto nessa premissa para os dias de hoje, e não vejo isso muito diferente para os próximos 5 ou 10 anos.
Vejo o designer para os próximos anos, não como aquele que possui apenas o conhecimento da forma, da estética, ergonomia, funcionalidade, aquele que consegue materializar idéias em desenhos 2D ou 3D… vejo o designer aplicando uma visão mais estratégica, com maior entendimento do mercado, dos sistemas, e principalmente com o conhecimento do Projeto. Mas espere, não vejo o Super-Designer!
Penso naquele que consegue usar sua criatividade de modo mais abrangente, aplicando seus conhecimentos estéticos para entender o posicionamento de mercado dos produtos – trabalhando em parceria ou com seus conhecimentos de marketing, entendendo que suas estratégias e seu conhecimento precisará estar em constante atualização.
Por isso entendo a necessidade do amplo conhecimento do projeto, para poder entender o problema do empresário e oferecer os serviços que ele realmente precisa e não aquilo que ele acha que o empresário precisa ou aquilo que ele sabe fazer. Na vida real, muitas vezes é preciso aprender fazendo. Acho que esta é uma das grandes vantagens de quem trabalha com criatividade, a de trabalhar com o desconhecido.
Em síntese, vejo nossa atuação para daqui a 10 anos relacionada a questões intelectuais, sobre compreensão de sistemas de produtos, e isso diretamente relacionado com políticas de inovação do Governo(e de empresas), sustentabilidade, e o desenvolvimento de novas experiências de consumo.
[1] http://www.educacaosuperior.inep.gov.br/funcional/busca_curso.stm
[2] http://www.designbrasil.org.br/portal/ingles/acoes/pbd_retrospectiva.jhtml
[3] http://www.unep.fr/scp/design/pdf/pss-imp-7.pdf
[4] PHILLIPS, Peter L.. Briefing: A Gestão do Projeto de Design. São Paulo. Edgard Blücher, 2008.
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Alexandre Turozi, 26 anos, Designer Industrial e Diretor de Projetos da 2pra1 Design Industrial. alexandre@doispraum.com.br / www.doispraum.com.br (em breve!!)
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Artigo Massa é um post esporádico onde convidados têm espaço para publicar um artigo, sobre qualquer tema, que tenha a ver com o jeitinho Massa Cultural de ser. O objetivo é mostrar o quanto tem gente com conteúdo massa por aí. E claro, criar uma bela discusão e troca de ideias com os Leitores Massa.







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