Apesar de o tempo estar confuso e os meteorologistas não se entenderem, prever se vai chover ou não amanhã é relativamente fácil. Tem várias teorias, saleiro úmido, arco ao redor da lua, “serra longe, chuva perto”… Mas prever os 10 anos seguintes complica um pouco mais e não tem saleiro ou borra de café que adivinhe com mudanças tão bruscas. Os anos 90 foram de constantes mudanças e mais uma década se completa com tantas evoluções quanto a última. Vamos arriscar palpites pra próxima?
Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos?
Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigado Alexandre, André, Ariel, Daniel, Elias, Felipe e Felipe Caroé… vocês são massa!!!)
01.
Vejo que o design começa a conquistar seu espaço no Brasil, se compararmos com 10 anos atrás. Para pensar nos próximos 10 anos acredito que um dos primeiros pontos que devemos observar é a previsão da população mundial, sairemos de 6 para quase 8 bilhões de habitantes.
Acredito que complexidade da inserção de produtos no mercado tende a aumentar, principalmente por políticas e exigências ambientais, e pelo impacto deste crescimento populacional no ambiente urbano.
Neste sentido, penso no designer como aquele que consegue usar sua criatividade de modo mais abrangente, aplicando seus conhecimentos estéticos para entender estratégias de produto, sistemas de produtos, e isso diretamente relacionado com políticas de inovação do Governo (e de empresas), sustentabilidade, e o desenvolvimento de novas experiências de consumo.
Alexandre Turozi, 26 anos, Designer Industrial e Diretor de Projetos da 2pra1 Design Industrial. alexandre@doispraum.com.br / www.doispraum.com.br (em breve!!)
02.
Tenho uma certa apreensão com tudo daqui a 10 anos e, dependendo do ritmo do aquecimento global, das catástrofes ambientais e tudo que pode aparecer ainda derivado disso, como a crise da água, é muito difícil fazer qualquer previsão agora. Há 20 anos eu previ muita coisa que está acontecendo hoje, ainda garoto, tinha a mania de prever. Gostava de arriscar palpites baseado na história recente do planeta e acabei acertando algumas coisas. Mas daqui a 10 anos a previsão é menos animadora, então parei de prever (risos).
De fato, tudo dependerá do quanto o Brasil será afetado pelas variações enormes do clima no planeta. Acredito que teremos uma sobrevida maior do que a Europa ou os EUA e talvez sejamos o país mais rico do mundo, se os sucessores de Obama não resolverem invadir o Brasil por causa da água e do petróleo que não descobrimos ainda. E isso é sério!
Com todo esse panorama pendendo entre o feio e o catastrófico, sou muito otimista (mais risos). Acredito realmente no Brasil como um país que vai superar as contradições violentas de hoje, até já melhorou um pouco e terá a chance de liderar o planeta num outro tipo de revolução, que não terá armas, nem guerras, nem presos políticos. Mas isso é um outro papo…o que eu ia responder mesmo? Ah! Minha área de atuação! Ela depende diretamente de tudo que está em volta, de todo o panorama mundial e especialmente o Brasileiro. Ainda mais considerando que estou mergulhando de vez na fotografia de casamentos e, em épocas de crise, as pessoas se casam muito pouco, gastam muito menos com isso e, tendo essa noção muito clara em mente, nunca me limitei por nenhum tipo de fotografia. Gosto e realizo intensamente todos os tipos de trabalhos que me aparecem, independente de gostar mais de um ou de outro. E ainda sou músico, afinal sempre terá uma estação de metrô ou trem para colocar o chapéu e tocar o dia todo esperando a sensibilidade das pessoas (risos triplicados).
Concluindo: se as condições climáticas nos permitirem, acredito que meu campo de atuação estará crescendo muito em geral, mas para o lado artístico isso ficará mais claro. Será cada vez mais dependente da tecnologia de computadores etc., mas cada vez mais desafiador para que se faça alguma coisa realmente diferente no mercado. A multiplicidade das formas artísticas e a fusão total de culturas no planeta vai influenciar de vez qualquer tipo de fotografia. Não haverá mais espaço para o fotógrafo registrador, aquele que clica o que vê. Será preciso ver algo que ninguém vê e congelar aquilo que ninguém viu mesmo olhando, de quebra convencendo a todos disso, verdade ou não (afinal a fotografia nunca se pretendeu verdade, nem mesmo no jornalismo). E é nisso que eu acredito. Adoro desafios!
André Pinnola, fotógrafo 24hs, músico de vez em quando, tentando ser para o outro mais do que para si mesmo, vivendo com um pé no Rio de Janeiro e outro em Santa Catarina. www.andrepinnola.com.br
03.
É difícil prever o que vai acontecer em 10 anos, ainda mais com as coisas mudando cada vez mais rápido, mas pelo que eu vejo, a comunicação, principalmente a publicidade tende cada vez mais a se transformar em entretenimento como cinema e produção audiovisual em geral, o que abre várias possibilidades para ilustradores, desde coisas obvias como animação, design de personagens, até trabalhos que as pessoas não veem diretamente como concept arte, story boards, etc. Isso se o mundo não acabar em 2012 é claro…:-)
Ariel Fajtlowicz, ilustrador e designer, 28 anos de idade e 12 de profissão.www.gloome.net
04.
O volume crescente de informação dispersa e inclassificável torna a comunicação um trabalho intenso de tornar fácil o acesso àquilo que é realmente importante para contextos cada vez mais exclusivos. Daqui a dez anos talvez estejamos de fato adaptados ao fato de que ninguém diz nada para quem não quer ouvir e que comunicação só acontece quando todo mundo tem a oportunidade de falar. Vai ser difícil, mas acredito que vamos aprender a não tentar classificar tanto as coisas e entender que na verdade os limites são regiões acinzentadas entre o preto e o branco. Acredito que fazer bom design e fazer boa comunicação continuarão a ser tarefas de pessoas que saibam gerenciar critérios e não seguir regras, pessoas que mais do que ter conhecimento saibam como utilizá-lo para melhorar as coisas.
Daniel Maciel, 23 carnavais, publicitário, instrutor do curso técnico em Design Gráfico do CECOTEG em BH/MG, faz umas letras e é uns trabalho como freela no tempo que sobra. @dmaciel
05.
Há alguns anos atrás tive um certo receio de que as coisas tomariam um rumo não muito favorável, comecei a perder trabalhos por não me aperfeiçoar em modelagem 3D. Pensei, daqui pra frente quem não dominar esta tecnologia, por mais técnicas que domine estará fadado ao esquecimento. Totalmente equivocado.
Hoje enxergo assim: Vemos muitos trabalhos que são uma salada de filtros e copy/paste e ruídos usados inadvertidamente, sem propósitos, carentes de um conceito, sendo considerados boas ilustrações. Entendo que, sobreviverá neste oceano revolto o ilustrador que, antes de manejar o motor do barco, souber deslocá-lo pelos meios tradicionais, ou seja, remando. Já tive situações (acredito que todo ilustrador já tenha passado por isso) em que o computador não me trouxe o resultado esperado, ou mesmo, me deixou na mão. Voltei à prancheta e consegui resultado tão bom, ou até melhor que o obtido com a máquina. Um ilustrador que começou a atuar primeiramente aprendendo a usar softwares e hardwares, sem conhecer as técnicas tradicionais, sem conhecer História da Arte, e Cultura em geral, não sei qual será o seu futuro nesta área.
A vantagem na ilustração é que, independente da técnica, que pode ser uma simples folha de papel e técnicas tradicionais, ou os muitos recursos que temos hoje na ilustração digital e os que ainda virão, sempre terá um motivo que a faça existir, levando-se em consideração as várias áreas de atuação do ilustrador (cinema, tv, games, storyboards, criação de personagens, apresentação de filmes, vinhetas, quadrinhos, anúncios publicitários, entre tantos outros). E, como disse o mestre Benício: “Sempre haverá uma idéia a ser transformada em imagem que a realidade não consiga transmitir.”
Elias de Carvalho Silveira é ilustrador e designer de Bauru, São Paulo. http://eliassilveira.blog.uol.com.br | http://www.flickr.com/photos/elias_ilustracao_design | http://eliassilveira.sites.uol.com.br
06.
Comparando com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentram as principais faculdades, eventos e empresas da área, atualmente a atuação do design na Bahia está engatinhando. Com alguns escritórios de design e pouca oferta de trabalho, a maioria dos profissionais que se forma dentro do estado vai para outros centros a procura de melhores empregos e estabilidade financeira e os que aqui ficam, atuam em agências de publicidade ou como autônomos.
Acredito que daqui há 10 anos nossa área esteja consolidada e fortalecida. Um número maior de profissionais responsáveis e comprometidos na realização de um bom trabalho farão um mercado cada vez melhor por meio de sua atuação, objetivando visibilidade às produções acadêmicas e divulgando o papel do design para a sociedade, permitindo o desenvolvimento de projetos que sejam úteis para sociedade e não só para fins comerciais.
Felipe Arcoverde é designer gráfico formado pelo Centro Universitário Jorge Amado – Unijorge e sócio-diretor do escritório de design gráfico Person Design. www.persondesign.com.br
07.
A comunicação estratégica na internet tem uma tendência para evoluir rápido, né? Quer dizer, há três anos ninguém pensava em mashups, microblogging, realidade aumentada.
Hoje, isso é expertise padrão para agências de marketing digital. Uma coisa que todo profissional da web já sabe – ou deveria saber – é que a evolução tecnológica não tem muito mais pra onde correr. O aprimoramento agora é conceitual; web 2.0, twitter, aplicativos do orkut, facebook… A inovação vem sendo mais de perspectiva que técnica.
Os designers terão que se dedicar, então, mais à eficiência da transmissão do que à forma da mensagem. Se em três anos tivemos uma brutal mudança no modo de fazer comunicação, em dez anos acredito ser essencial trabalhar a objetividade e o destaque do conceito transmitido. Isso vai tornar a profissão mais atuante e requisitada.
Felipe Caroé tem 23 anos e é designer. Trabalha com branding e estratégia para a web. Tá achando que trabalha pouco, aí decidiu participar de um coletivo de design, o coletivo NEGOBOM. felipecaroe.com | coletivonegobom.com
E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! Como você vê sua área de atuação daqui a 10 anos? Dê uma de mãe Dinah e fale-nos do futuro! A equipe massa também brinca, e sempre deixa suas respostas ali nos comentários =)
7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!








5 comments so far
Mães Dinah, brigada pelas suas perspectivas!
outubro 27th, 2009Trackbacks
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