Saudades do 7×1? A gente, aqui do massa, tava morrendo de saudades! Assim, sem muito delongas, corre para ler as respostas dos nossos sete convidados massa para a pergunta:
O que influenciou seu trabalho? Por quê?
Segue as respostas abaixo! (Ah, obrigada Alice, Anna, Camila, Carlos, Fábio, Joelson e Nede… vocês são massa!!!)
01.
Alice Linck – Fotógrafa
As minhas primeiras referências fotográficas vieram da Vogue Americana, lá por 1992. Minha irmã comprava a revista todos os meses e eu lembro que adorava viajar nos editoriais de moda e me perguntava como aqueles fotógrafos faziam tantos efeitos legais. Depois de um tempo, eu gostava de brincar tentando advinhar quem era o fotógrafo só pelo estilo da imagem. Os fotógrafos (que até hoje são os meus preferidos) eram Richard Avedon, Irving Penn, Helmut Newton, Annie Leibovitz, Patrick Demarchelier,Ellen Von Unwerth, pra listar os mais marcantes. Nessa época eu tinha uma Pentax automática (dessas de turista mesmo) e ficava brincando com papel celofane, renda, tule na frente da lente pedindo pra fotografar minhas amigas ou qualquer outra coisa que eu julgasse interessante.
Quando meu avô me deu de presente a Nikkormat dele (toda manual e com duas lentes e vários filtros diferentes) comecei a brincar e vi que ali tinha um mundo pra se aprender. Em 1998 fiz o primeiro curso de fotografia no Senac, meu professor (Nede Losina) me apresentou Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, Ansel Adams, Eugene Atget e toda essa “galerinha” Masters of Photography! Alguns foram mais marcantes do que outros e cada um por um motivo diferente.
Acho um pouco pretensioso falar que eles influenciaram meu trabalho, porque considero a maioria desses fotógrafos ABSURDAMENTE GENIAIS, mas acho que posso dizer que eles despertaram algo dentro de mim. Muito mais do que ver as fotografias tiradas por eles, sempre gostei de ler sobre como eles trabalham, o que eles disseram , pensavam, enfim, saber mais sobre o olhar de quem congelou aquelas imagens fantásticas que ficaram gravadas na minha memória.De todas as coisas que li, uma é a maior influência que tenho e como eu procuro conduzir meu relacionamento com a fotografia:
“(…) Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração. É também uma forma de gritar, de se libertar, e não de provar ou afirmar a sua própria originalidade (…)” Henri Cartier-Bresson.
Acredito que é só assim que se consegue colocar um pouco da gente no que se fotografa. A técnica pode ser aprendida por quem quiser e correr atrás, mas esse algo mais vem de dentro de cada um e é o que dá alma a uma fotografia e o que ninguém pode te tirar.
Alice Linck – BLOG – FLICKR – TWITTER – WWW
02.
Anna Anjos – Ilustradora/ designer
Tudo o que de certa forma desperta meu interesse acaba sendo uma fonte de inspiração. Não sei em qual linha artística meu trabalho se adeqüa; não estou preocupada com isso, pra falar a verdade. Acredito que a definição de um estilo não deve ser mais importante que o próprio trabalho, ele deve falar por si só.
Posso dizer que tenho grande fascínio pelo bizarro e o onírico das obras oníricas do Lynch e os trabalhos contundentes do Kubrick. Também tenho como referências para o meu trabalho as cidades urbanas e a música. Aliás, sou realmente apaixonada por música; vejo a ilustração/pintura e a música como expressões artísticas que se complementam, isso acaba influenciando diretamente em cada um de meus trabalhos.
Posso dizer seguramente que amo o que faço e que trabalhar com ilustração torna-se uma brincadeira, uma brincadeira séria, mas muito gratificante, sem dúvida.
Anna Anjos – www.annaanjos.com
03.
Camila Mello – Fotógrafa
Pode parecer piegas mas a coisa mais importante para que eu me tornasse uma fotógrafa foi a família. A minha, a sua, a família em geral. Como engenheira sempre senti falta de uma resposta mais humana ao meu trabalho, eu queira fazer alguma diferença na vida das pessoas e não focar só em números e metas… faltava um calor humano, um aconchego na minha vida! Foi então que resolvi fazer cursos de fotografia para ampliar meus horizontes. Na época minha irmã estava grávida e já tinha uma filha de dois anos. A composição era boa e as fiz de cobaias. O resultado das fotos me surpreendeu de uma maneira que eu não podia esperar. Não que as fotos tivessem ficado maravilhosas ou tecnicamente perfeitas, mas o sentimento presente cada click despertou um desejo de fazer aquilo para sempre. Eu me senti realizada. Daí para frente comecei a fotografar outras famílias, grávidas e muitos pequenos, depois vieram os noivinho, as novas grávidas e o pequininhos! E eu percebi ali que a emoção presente em cada uma dessas seções é sempre o minha maior recompensa. Que esse amor presente de cada família é único e poder eternizar congelar isso em fotos é o que me motiva. Por isso eu digo que o que me tornou fotógrafa foi a família, a minha, a sua, a família em geral…
Camila B Mello – www.camillamello.com blog www.camillamello.blogspot.com
04.
Carlos Thunm – Diretor de Arte
Vários “DA’s” influenciaram meu trabalho.
E pra eu não falar daqueles clássicos nomes que todos já conhecem, resolvi falar de uma cidade que foi um grande influência profissional pra mim.
Londres, sem dúvida nehuma, é um lugar especial porque onde quer que você vá, onde quer que você esteja, onde quer que você almoçe, tem sempre alguma referência legal em termos de propaganda, design, fotografia e tudo o que cerca nossa profissão.
Na primeira vez que estive lá (acho que foi 1997) fiquei impactado e lembro até hoje da marca criada para o Design Museum. (já não está mais em uso, eles mudaram toda a programação visual) mas ela tinha a junção do “N” final de Design com o “M” inicial de Museum de uma maneira simples, direta e muito linda que não esqueço até hoje (acho que a fonte era bodoni).
Depois de mais algumas vezes a passeio, resolvi fazer um ano sabático em 2006 e fui morar lá.
Fiz alguns cursos na Saint Martins e deu pra ver ali o que é realmente estudar sobre algum assunto que seja relacionado a nossa área…
Um dos meus cursos foi de tipografia e minha professora sabia muito, mas muito sobre o assunto.
E ai começei a entender o porque de eles estarem tão a frente na nossa área…
Todos os museus tem uma programação visual incrível, a parte de design gráfico é impecável, a montagem das exposições é impressionante, a parte de mídia externa pelas ruas realmente é utilizada como mídia externa (pouca informação e de uma riqueza visual impressionante), as lojas e supermercados tem embalagens que são verdadeiras aulas e as livrarias e lojas de museus são uma pós graduação pra quem curte propaganda, design, fotografia e etc.
Por isso, sem dúvida nenhuma, minha dica é essa.
Quando quiserem fazer algum “curso” nessas áreas, passem uns dias em Londres.
A quantidade de informação, referências, fotos, livros, embalagens vão exceder a sua bagagem.
Mas com certeza vão valer muito a pena.
Carlos Thunm, diretor de arte da agência Loducca de São Paulo
05.
Fabio Sasso – Webdesigner / design gráfico
Em termos de influência acho que depende muito do trabalho, geralmente para meus trabalhos profissionais procuro não deixar com que minhas influências decidam o que fazer, mas sim o que influencia a audiência para quem eu estou fazendo o trabalho.
Agora para meus projetos pessoais e o Abduzeedo, minha influência é clara nos anos 80, com os efeitos de neon e luz, aquele tema espacial meio futurístico, com planos geométricos. Como cresci na década de 80 e 90 obviamente peguei a transição também com o grunge, David Carson, Neville Brody, Emigre, não que eu trabalhasse na época, obviamente que não, mas isso estava influenciando quem trabalhava e passava isso em design gráfico, impresso e na TV…. Acho que é uma mistura de tudo.
Fabio Sasso é co-fundador da 3yz Digital Perfomance e também o criador do Abduzeedo.
06.
Joelson Bugila – Artista Plástico/Designer
Antes de qualquer coisa a gente não decide o que quer fazer de nossas vidas.
As coisas vão acontecendo com as nossas afinidades e interesses.
A história começa quando fui para Bienal de São Paulo, onde deu um BOOM na minha cabeça de referências e situações, se não me engano no ano de 2005.
Meu trabalho como artista/ilustrador foi buscando um foco, penso eu que todo artista plástico quer se encaixar em algum movimento.
A técnica é sua, as maneiras de transformar a arte é de cada um, e pela busca/experiência acaba-se encontrando.
Quando percebi estava dentro da street art, um movimento que vem da arte urbana, mas com novas técnicas e formas de expressão – o grafite é um material muito presente na street art, mas esta ascensão da arte urbana, se mistura muitas as técnicas e formas, como a pintura, colagens, serigrafia, o stencil e muitas outras.
Voltando a megalópole chamada São Paulo.
As ruas cinzas, os prédios cinzas, a cidade cinza, e a cidade se comunicando comigo. O que mais me influencia é a situação das cidades, as transformações que elas tomam, por fato a arte urbana vem da rua, e automaticamente nos voltamos para este lado, já que estamos no mesmo contexto.
Mas muitas pessoas perguntam: o que tem haver ilustração / monstros / criaturas com cidades?
Exatamente tudo a ver, é fazer a transformação do espaço em arte, com seres que passam a ter vidas próprias em uma esquina de uma rua.
Mas não é só na rua que vivemos, até porque faço isso quando realmente tenho tempo.
A pintura que é imóvel no muro, passa a ser móvel em telas e bases que possam ser transportadas, dando possibilidade da street art entrar em espaços expositivos.
Carrego comigo muitos e muitos artistas que se desenvolveram com este movimento, vamos citar na década de 50 e 60 onde temos a arte pop e a arte urbana, ambos irreverentes, que também está presente em meu trabalho.
Depois de escrever tudo isso, observei que faltam muitas coisas para escrever.
Digo, e os meus personagens, são todos lúdicos, e onde eles entram?
Tá aí, um convite de acrescentar o lúdico na vida adulta para ter um olhar positivo sobre ela.
Hoje trabalho como designer e utilizo minhas técnicas de artista para com o meu trabalho, não abandonando a carreira artística.
Joelson Bugila – http://www.flickr.com/photos/joelsomm/
07.
Nede Losina – Fotógrafo
Preciso dividir a pergunta em duas partes, o que me levou a fotografar e o que me inspira no trabalho fotográfico. A fotografia apareceu para mim aos sete anos com meu pai, ele fotografava e me envolvia em conceitos técnicos e trabalhos alternativos de laboratório, e depois de muitos anos comecei a pensar na fotografia como um caminho profissional, após chegar à conclusão que a música (melhor dizendo, minha qualidade como músico) não me levaria a lugar algum, e a fotografia me mantinha perto da arte. Desde cedo aprendi a diferenciar o que eu fotografava como profissão do meu trabalho autoral, e este mudou muito no passar dos anos. Um fotógrafo me falou que chega uma hora que não interessa mais o que se quer dizer com uma foto, mas sim o que ela quer dizer sobre nós, e isso é o que me importa. As influências (prefiro chamar de inspirações) aparecem a todo o momento, eu poderia falar de vários fotógrafos que admiro, mas o que me importa realmente são as inspirações diárias, pessoas, som, vento, calor, formas, volumes, cores e minhas fotografias procuram registrar essas sensações em imagens que escapem aos olhos, que a ótica e o tempo do olhar não conseguem registrar. Por isso abuso de desfoques, baixa velocidade, imagens borradas e distorcidas que são as formas que encontrei de esquecer a forma, que representem uma reflexão e não um reflexo, uma idéia sobre o mundo e, é claro, uma idéia sobre mim.
Nede Losina – BlOG – PROJETO CONTATO
E ai depois de tudo isso o que você tem a dizer? Deixe sua opinião nos comentários… A gente vai adorar ampliar a nossa gama com a sua resposta! O influênciou o seu trabalho? Como as coisas despertaram em você? Conta pra gente sua história… A equipe massa também brinca, e sempre deixa suas respostas ali nos comentários =)
7×1 é um post que propõe uma visão Muito Massa de sete cidadãos
“dedocraticamente” eleitos para responderem uma questão existencial pré-definida pela Equipe do Massa. O objetivo é catar a opinião de pessoas de diferentes áreas sobre um mesmo assunto, compará-las e fazer aquela Massa com sustância criativa!








7 comments so far
Achei muito MASSA poder ler diferentes histórias, vivenciadas por pessoas diferentes, mas que de certa forma se conectam.. se interligam!!!! Bacana ver e poder pensar junto com estas pessoas como é que elas se despertaram para suas habilidades!!!! Acho esta troca de experiências algo ímpar na vida das pessoas!! Estas pessoas não me conhecem, mas elas HOJE me transmitiram conhecimento!! Viva a massificação de ideias!!! Beijos e abraços a todos, Priscila Maciel
agosto 10th, 2009Acho que o que determinou minha caminhada logo no início foi as artes, através das aulas de composição com a Lela, por causa dela eu tive contato com as artes logo cedo (tinha 16). Nessa época eu fiquei tão fissurada por arte, que eu vivia lendo livro de arte, querendo saber as histórias dos artistas, como eles viviam, como é que eles criavam as coisas… ficava igual uma doida tentando aprender aprender aprender… Isso fez com que eu fosse pro caminho dos estudos da sintaxe da linguagem visual…. eu queria saber as mágicas que se escondiam por trás de cada composição… Acho que essa descoberta logo no inicio da minha formação profissional influenciou todo o meu trabalho e como eu vejo o design hoje em dia!
agosto 10th, 2009Priscila, adorei tua presença por aqui. Bjo!
agosto 10th, 2009Que bacana!!! Cheguei aqui através da Camila e adorei o espaço e as histórias!
agosto 10th, 2009O que influenciou o meu trabalho?? Eu AINDA não trabalho profissionalmente com fotografia. Estou estudando, me exercitando, me aprimorando, me dedicando. Acho que tem que ser assim. Não é dessa forma que fazemos quando queremos ser médicos, jornalistas, engenheiros? Então, porque com a fotografia seria diferente? Seria amadorístico? Por enquanto vou me divertindo e tendo prazer com algo muito especial pra mim. Mas o que influenciou pra que eu começasse foi a presença sempre constante de uma câmera fotográfica na minha vida e o incentivo dos amigos. Desde criança tenho registros fotográficos, meu pai sempre tinha uma xereta (como ele gosta de chamar) por perto e temos álbuns e mais álbuns em casa. Cresci gostando de fotografia e desejando sempre um upgrade no equipamento. De um tempo pra cá me tornei a “fotógrafa” oficial da turma, tanto pelo gosto pela arte como pelos resultados que obtinha com as fotos. Os elogios sempre vinham. Depois que comecei a publicar as fotos no meu blog pessoal e no blog coletivo que participo (Criative-se) os elogios só aumentavam e o incentivo pra começar algo mais foi aumentando também! Comecei o curso, comprei a sonhada câmera e hoje estou começando o módulo avançado e praticando bastante. O incentivo pra começar algo mais “profissa” tá vindo, mas peço calma. Quero estar segura de que posso dar este passo e pretendo fazer com seriedade, como tudo que fiz até aqui. sou exigente e detalhista… perfeccionista.
Hoje posso dizer que influências familiares desde a infância e o incentivo dos amigos foram dois fatores que me levaram a encarar a fotografia como algo mais que uma paixão. Se vai dar samba?? Prazer já dá e muito… todo o resto é consequência e seriedade no que se faz!
Adorei participar! Virei freguesa!!
Bjks, Beta
Muito bom o tema, legal também o fato de ter pessoas de mercados diferentes, poa, sp… abraço massa.
agosto 10th, 2009Trackbacks
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